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Pintura, tricô e corrida. Por que começar ou retomar hobbies promove a saúde mental  

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  • 2025-11-11
  • Sem comentários
  • 3 minutos de leitura

Psicóloga fala sobre o poder das atividades na reconexão emocional, combate ao estresse e estímulo ao convívio social  

Em uma rotina dominada por telas e consumo excessivo de conteúdos nas redes sociais, encontrar atividades que garantem momentos de desconexão, conforto e lazer se tornou uma forma valiosa de melhorar o bem-estar. Nesse contexto, os hobbies ganham destaque como grandes aliados, oferecendo pausas que ajudam a manter o cérebro ativo e aberto a novas experiências, recuperar o foco, amenizar o estresse e reservar um tempo para si mesmo.  

“A importância do hobby é justamente conseguir fazer algo sem necessariamente a autocobrança de performar resultado, de estar sempre produzindo. Hoje, mais do que nunca, é um meio para que as pessoas possam se divertir e encontrar prazer dentro do dia a dia, o que traz contribuições para um cotidiano mais saudável”, afirma Rafaella Dominguez, psicóloga e professora do curso de Psicologia da Universidade Salvador (UNIFACS).  

Segundo estudo publicado pela Harvard Health, que ouviu mais de 93 mil pessoas acima dos 65 anos em 16 países, passatempos regulares estão associados a níveis mais altos de felicidade, maior satisfação com a vida, menos sintomas depressivos e visão positiva diante de desafios. Essas constatações reforçam a opinião de especialistas sobre os benefícios à saúde mental.  

Seja pintar livro de colorir, montar quebra-cabeças, cuidar de plantas ou envolver-se com cerâmica e crochê, todos os hobbies são considerados caminhos para desacelerar e cuidar da mente. “Não existe regra ou recomendação de uma atividade específica. A melhor opção vai ser sempre aquela em que se consegue desempenhar e ter uma dose de leveza em meio às demandas diárias”, diz a profissional.  

Apoio a tratamentos  

Aprender um novo hobby ou retomar um da infância ainda pode ajudar em tratamentos psicológicos e psiquiátricos. A psicóloga destaca que, a depender do quadro, a prática costuma auxiliar no alívio dos sintomas. Isso porque amplia a percepção de que a vida pode ser mais prazerosa, o senso de propósito e a possibilidade de redescoberta de sensações positivas.  

Apesar dessas vantagens, ela enfatiza: “é muito importante que as pessoas também busquem fazer uma atividade física. Diversos estudos comprovam que o exercício regular auxilia na melhora de sintomas da ansiedade, depressão e outros transtornos mentais. Contudo, vale ressaltar que tanto os hobbies quanto a prática de atividades físicas complementam os tratamentos psiquiátrico, medicamentoso e psicoterapêutico, servindo de apoio ao longo dos processos”.  

Pontos de alerta  

Com o crescente interesse pelos passatempos, surgem ainda os riscos de transformá-los em fontes de pressão e insatisfação. De acordo com Rafaella Dominguez, deixam de ser benéficos quando passam a ser obrigatoriedade ou ter apenas o sentido de utilidade. “Muitos acabam levando para o lugar de autocobrança e ansiedade. O prazer inicial é substituído pela necessidade de ter resultado, ser o melhor ou se tornar competitivo a ponto de gerar sofrimento psíquico”, alerta a professora da UNIFACS.  

Para evitar sentimentos que não correspondem às finalidades dos hobbies, a docente lembra que o valor das atividades manuais e afetivas estão na maneira como se encaixam na vida de cada um e promovem o estímulo social através de experiências em grupo.  

“Quando possível, ao invés de ficar rolando a tela do celular por horas, escolha atividades que envolvem movimento e o contato com o mundo fora de casa. Existem muitas oportunidades de fazer novas amizades e até descobrir talentos escondidos ao se reunir em grupos para pintar, fotografar, correr na rua ou aprender a tocar um instrumento. Mais do que distrações, esses momentos entregam leveza e ajudam a construir laços sociais”, comenta.  

Para mais informações: www.unifacs.br

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