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E o Carnaval no Brasil?

  • Calendário, Saia de Casa, Secundário 1, Sub-Editoria Saia de Casa
  • 2025-02-27
  • Sem comentários
  • 5 minutos de leitura

O Carnaval, a festa popular mais tradicional do Brasil, foi introduzido no país pelos portugueses durante o período colonial. Uma das primeiras manifestações carnavalescas no Brasil foi o entrudo, uma festividade trazida de Portugal entre os séculos XVI e XVII, amplamente praticada pela população.

O entrudo era uma festa de rua caracterizada por brincadeiras em que as pessoas jogavam água perfumada, líquidos malcheirosos, urina e lama umas nas outras. A festividade tinha um forte tom de zombaria e poderia ser direcionada a qualquer pessoa que estivesse na rua. Essa prática permaneceu no Brasil até meados do século XX.

Durante o período colonial, os africanos escravizados também participaram da festividade, incorporando batuques e ritmos africanos, que posteriormente influenciaram a marchinha de Carnaval e o samba.

No início do século XX, buscando tornar a festa mais organizada, autoridades proibiram a prática de jogar farinha e água, substituindo-a por confetes, serpentinas e buquês de flores, inspirados nos carnavais de Paris e Nice. A partir da popularização dos automóveis, as elites desfilavam jogando confetes e serpentinas nos transeuntes, até que, na década de 1930, essa tradição foi substituída pela crescente participação das classes populares no Carnaval.

Com o passar do tempo, surgiram grupos carnavalescos organizando festas de rua. No século XX, os carros alegóricos e o samba tornaram-se fundamentais para o Carnaval brasileiro, que, desde a década de 1930, consolidou-se como a festa popular mais importante do país.

As marchinhas de Carnaval, gênero musical rápido e irreverente, foram fundamentais para animar o Carnaval de rua, satirizando a sociedade e a política. A primeira marchinha foi “Ó Abre Alas”, composta por Chiquinha Gonzaga em 1899. Com a popularização do rádio, artistas como Carmen Miranda e Francisco Alves disseminaram o gênero até que, na década de 1960, as marchinhas deram lugar ao samba-enredo das escolas de samba.

O surgimento das escolas de samba

A primeira escola de samba do Rio de Janeiro foi a “Deixa Falar”, criada em 1928, e posteriormente renomeada “Estácio de Sá”. O termo “escola” surgiu porque os fundadores da agremiação reuniam-se próximo a uma escola. Com o tempo, outras escolas de samba surgiram e se consolidaram como grandes expressões culturais do Carnaval brasileiro.

Com a construção do Sambódromo na década de 1980, os desfiles tornaram-se grandiosos espetáculos televisionados, atraindo turistas do mundo inteiro. O Carnaval de rua, porém, continuou vivo através de blocos tradicionais como o “Cordão da Bola Preta”, “Carmelitas” e “Banda de Ipanema”.

Carnaval no Nordeste do Brasil

O Brasil, com sua diversidade cultural, celebra o Carnaval de diferentes formas em cada região. No Nordeste, Salvador e Recife destacam-se com manifestações próprias e vibrantes.

Em Salvador, os trios elétricos animam milhões de foliões ao som do axé, samba e timbalada. A tradição surgiu em 1950, quando os músicos Dodô e Osmar inovaram ao utilizar amplificação elétrica em seus instrumentos. O Carnaval baiano é marcado pela presença de grandes blocos como os “Filhos de Gandhi”, um dos mais emblemáticos da festa.

Em Recife e Olinda, o frevo e o maracatu dominam a celebração. O frevo, com suas coreografias acrobáticas e característico som de metais, anima as ruas, enquanto o maracatu, de origem africana, traz um forte componente histórico e cultural às festividades. O “Galo da Madrugada”, maior bloco de Carnaval do mundo, é o destaque da festa recifense.

O Carnaval de Salvador: Da Influência Europeia à Maior Festa de Rua do Mundo

O Carnaval de Salvador tem suas raízes fincadas na história do Brasil desde os primeiros anos de colonização. Os primeiros relatos sobre a festividade na Bahia remetem aos jesuítas, que trouxeram a cultura carnavalesca como parte do processo de catequese dos povos indígenas. O próprio Padre Anchieta fez menção ao carnaval em seus escritos, destacando o uso da música e da dança como ferramentas para aproximar os nativos das tradições cristãs.

Outro registro histórico notável ocorreu durante a invasão holandesa de 1624. Um soldado relatou que, mesmo em meio à guerra, o carnaval foi celebrado a bordo de quatro navios, demonstrando a força e a permanência da festa mesmo em tempos de conflito.

A festividade, fortemente influenciada pelo carnaval europeu, especialmente os realizados em Portugal e na Espanha, era vinculada à tradição católica. Como um período de extravasamento antes da Quaresma, o carnaval era incentivado pela Igreja como uma forma de permitir a diversão antes do período de recolhimento e penitência.

Entre os séculos XVIII e XIX, o carnaval começou a se popularizar nas ruas de Salvador, em especial na Rua Chile, onde escravos e libertos incorporavam elementos africanos à festa. O entrudo, uma brincadeira de origem europeia, era bastante popular e consistia em jogar objetos como limões de cera recheados com líquidos perfumados ou mesmo substâncias menos agradáveis, como farinha e água suja. A prática foi posteriormente proibida por um decreto da Câmara Municipal, o que impulsionou a transformação do carnaval em uma festa mais organizada.

Neste período, a celebração se dividiu em duas formas principais: o Carnaval de Salão, frequentado por brancos e mulatos de classe média, e o Carnaval de Rua, no qual negros e mulatos pobres tinham maior presença. Os bailes de máscaras no Teatro São João, que começaram em 1860, consolidaram o Carnaval de Salão entre as elites, enquanto os desfiles nas ruas ganharam popularidade com o passar dos anos.

A partir de 1870, os mascarados avulsos e os bailes populares começaram a ganhar espaço, e o surgimento do “Bando Anunciador”, um grupo que percorria as ruas chamando os foliões para a festa, ajudou a estruturar melhor a celebração. Nos anos seguintes, o carnaval passou a ser um evento mais grandioso e organizado, atraindo cada vez mais participantes. Em 1882, o comércio adotou o costume de fechar na terça-feira de Carnaval, impulsionando ainda mais as comemorações.

O primeiro grande Carnaval de Rua de Salvador foi realizado em 1884, marcando uma nova era na festividade. A influência europeia, especialmente do carnaval de Veneza e Nice, ainda era perceptível, mas a festa já contava com elementos locais que a tornavam única. Os clubes uniformizados, como “Zé Pereira”, “Os Comilões” e “Os Engenheiros”, desfilavam pelas ruas fantasiados, atraindo multidões.

Com o passar dos anos, o Carnaval de Salvador se reinventou diversas vezes, incorporando novas músicas, ritmos e formas de expressão. Hoje, é considerado o maior carnaval de rua do mundo, reunindo milhões de pessoas ao som do axé e dos trios elétricos, mantendo viva uma tradição secular que teve início com os primeiros colonizadores e se transformou na grande celebração cultural da Bahia.

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