Estilo de vida, hormônios e doenças ocultas influenciam a fertilidade masculina e devem ser avaliados com atenção
Quando um casal enfrenta dificuldades para engravidar, é comum que a mulher seja a primeira a buscar orientação médica. No entanto, a fertilidade é uma questão que envolve ambos os parceiros e a saúde reprodutiva masculina deve ser levada tão a sério quanto a feminina. Ignorar essa realidade pode atrasar diagnósticos importantes e comprometer as chances de sucesso do tratamento.
“Cerca de 40% dos casos de infertilidade têm origem exclusivamente masculina, e outros 20% envolvem fatores de ambos os parceiros. Ainda assim, muitos homens só procuram avaliação após insistência da companheira ou quando o processo já está bastante avançado”, explica o Dr. Renato Fraietta, especialista em Reprodução Humana da CPMR – Clínica Paulista de Medicina Reprodutiva.
Um dos principais exames solicitados na investigação é o espermograma, que avalia a qualidade do sêmen incluindo a quantidade, motilidade e morfologia dos espermatozoides. O exame alterado pode suscitar a presença de alterações silenciosas, como a varicocele, uma dilatação das veias na região testicular que compromete a produção espermática e que pode ser corrigida com tratamento adequado.
Além de causas clínicas, o estilo de vida do homem também exerce grande impacto sobre sua fertilidade. Maus hábitos como tabagismo, alcoolismo, má alimentação, obesidade e estresse crônico reduzem significativamente a qualidade do sêmen. Outro alerta importante é o uso indiscriminado de testosterona exógena, comum em academias e entre praticantes de musculação. “A administração de testosterona sem indicação médica pode inibir completamente a produção natural de espermatozoides, causando infertilidade temporária ou até permanente”, afirma o Dr. Renato.
Diferentemente do que muitos pensam, fertilidade masculina não está relacionada à libido ou desempenho sexual. É perfeitamente possível que um homem com vida sexual ativa e normal apresente alterações importantes nos parâmetros seminais.
Por isso, incluir o homem na consulta desde o início é essencial. “A avaliação do casal é um passo-chave para identificar com precisão o que está acontecendo e traçar a melhor estratégia de tratamento. A infertilidade não é um problema só da mulher, é um desafio do casal”, conclui o Dr. Renato.
Sobre o Dr. Renato Fraietta | CRM-SP 83.504 RQE 21031
Delegado da Associação Paulista de Medicina (APM) na AMB, dedica-se à Reprodução Humana, à Varicocele e à análise funcional dos espermatozóides com ênfase na Fertilidade Futura, é Professor Adjunto Livre-docente Vice-Chefe da Disciplina de Urologia e Coordenador do Setor Integrado de Reprodução Humana da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), Professor Orientador do Programa de Pós-graduação em Urologia – UNIFESP, Coordenador da Câmara Técnica de Reprodução Humana e Técnicas de Reprodução Assistida do Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (CREMESP). Possui graduação em Medicina pela Escola Paulista de Medicina – Universidade Federal de São Paulo – UNIFESP, residência em Cirurgia Geral pela Universidade Federal de São Paulo – UNIFESP , residência em Urologia pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas – PUCCAMP , Doutorado em Ciências pelo Programa de Pós-Graduação da Disciplina de Urologia na Área de Reprodução Humana da Universidade Federal de São Paulo, estágio, no exterior, em Reprodução Humana pela Eastern Virginia Medical School-Norfolk, VA, USA.

















