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Se o burnout é ocupacional, qual é a responsabilidade das empresas?

  • Saúde, Secundário 2, Sub-Editoria Vitalidade, Vitalidade
  • 2025-04-08
  • Sem comentários
  • 3 minutos de leitura

Suzie Clavery, CHRO Latam da TotalPass

O burnout, reconhecido como uma síndrome ocupacional pela Organização Mundial da Saúde (OMS), é uma das principais preocupações do mercado de trabalho contemporâneo. No Brasil, onde as longas jornadas e as pressões por produtividade são recorrentes, o cenário é ainda mais alarmante. De acordo com um levantamento realizado pela International Stress Management Association (Isma), o país ocupa a segunda posição mundial em casos diagnosticados, ficando atrás apenas do Japão, onde 70% da população é afetada. 

Isso traz desafios significativos para as empresas que buscam manter a saúde e o bem-estar de seus colaboradores. Neste contexto, é essencial que as organizações adotem um papel proativo no combate à doença, e o engajamento das lideranças é um dos primeiros passos para essa transformação.

Qual o papel das lideranças no combate ao burnout?

Lideranças engajadas são fundamentais para criar um ambiente de trabalho que priorize o bem-estar e evite o esgotamento profissional. No entanto, isso exige um olhar atento e empático para identificar os primeiros sinais, como queda na produtividade, ausência de motivação e alterações no comportamento dos colaboradores. Para isso, os gestores precisam estar capacitados a ouvir, apoiar e, principalmente, agir.

Uma gestão bem preparada promove segurança psicológica, permitindo diálogos abertos sobre demandas, ajustes de volume ou tipo de trabalho e a adoção de ferramentas tecnológicas que aliviem sobrecargas operacionais.

Além disso, programas de treinamento de líderes voltados para suporte emocional podem prepará-los para enfrentar situações desafiadoras e criar um ambiente de confiança que conecta o trabalho a um propósito e significado, gerando um senso de pertencimento com a cultura organizacional e motivação genuína. Empresas que investem na formação de líderes mais humanizados e preparados têm maior chance de prevenir adoecimento psicológico e reter talentos.

A importância do bem-estar integrado

Os programas de bem-estar não podem mais ser vistos como benefícios adicionais, e sim como uma estratégia organizacional central. Iniciativas que promovem a saúde física, emocional e nutricional não só melhoram a qualidade de vida dos colaboradores, mas também impactam diretamente os indicadores de engajamento e produtividade já que ajudam a fortalecer a conexão com a cultura da companhia.

No Brasil, essas iniciativas podem ser ainda mais relevantes considerando o cenário socioeconômico. Benefícios que incluem acesso a academias, suporte psicológico e orientações nutricionais de maneira holística são altamente valorizados e têm grande potencial de impacto, pois demonstram na prática o cuidado das empresas ao facilitar o acesso ao cuidado e promoção da saúde e melhorar o equilíbrio emocional dos times.

Além disso, a implementação de horários flexíveis, pausas para autocuidado e o estímulo à desconexão digital são medidas simples, mas eficazes, que ajudam a prevenir o esgotamento. Combater o burnout não é apenas uma questão de responsabilidade social, mas também uma estratégia inteligente para os negócios. Empresas que priorizam o bem-estar de seus colaboradores experimentam menores taxas de rotatividade, maior produtividade e um ambiente de trabalho mais positivo. O desafio, no entanto, é construir uma cultura organizacional que vá além de ações pontuais. É preciso que o bem-estar seja incorporado à essência do negócio, com políticas claras, métricas de sucesso e um compromisso contínuo. 

Acabar com o burnout é uma ação coletiva

É fundamental entender que a responsabilidade das empresas em relação ao burnout começa pela prevenção. Cuidar da saúde mental no trabalho vai muito além de ações isoladas. É sobre construir, junto com os times, uma cultura onde as pessoas realmente se sintam valorizadas e protegidas. Isso passa por respeitar a diferença da vida pessoal e profissional de cada indivíduo, prevenir sobrecargas, preparar lideranças para encontrar o equilíbrio para os times e abrir espaço para conversas reais sobre temas como burnout e depressão.

Quando criamos ambientes acolhedores, positivos e investimos em educação contínua sobre saúde mental, ajudamos a quebrar tabus e a mostrar que todos podem encontrar apoio. Nesse cenário, colaboradores se sentem acolhidos, e as empresas se tornam mais humanas, fortes e preparadas para os desafios do futuro.

Em um mercado em constante transformação, empresas que investem em pessoas se destacam, construindo organizações mais fortes, humanas e resilientes. O desafio está lançado, e o momento de agir é agora.

Suzie Clavery

Pós-graduada em Marketing pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e com MBA em Felicidade Organizacional pela Happiness Business School e ISEC Lisboa. Possui mais de 15 anos de experiência em employer branding, autora do primeiro livro sobre o assunto no país, “Isso é Employer Branding?!”, e cofundadora do Employer Branding Brasil.

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