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Você acorda com dor de cabeça? Pode ser problema bucal!

  • Destaque 1-envelhescência, Envelhescência, Sub-Editoria Envelhescência
  • 2026-02-25
  • Sem comentários
  • 2 minutos de leitura

Especialistas alertam que bruxismo, distúrbios da ATM e postura inadequada durante o sono podem estar por trás de um sintoma que muita gente trata apenas com analgésico

Acordar com dor de cabeça não deveria ser rotina. Ainda assim, milhões de brasileiros começam o dia com peso na testa, tensão nas têmporas ou sensação de pressão na nuca e recorrem automaticamente ao café forte ou ao analgésico. O que poucos imaginam é que a origem do problema pode estar na boca.

Distúrbios da articulação temporomandibular, conhecida como ATM, episódios de bruxismo noturno e até uma posição inadequada ao dormir podem gerar sobrecarga muscular e desencadear dores que irradiam para a cabeça, pescoço e ombros.

Segundo o cirurgião-dentista Marcos Pereira Villa-Nova, a conexão é mais comum do que parece. “Muitos pacientes procuram atendimento relatando dores de cabeça frequentes, mas não associam o sintoma à saúde bucal. Quando avaliamos clinicamente, identificamos sinais claros de sobrecarga na musculatura mastigatória ou desgaste dental provocado pelo bruxismo”, explica.

Durante o sono, o ranger ou apertar dos dentes pode acontecer de forma involuntária e silenciosa. A força exercida pode ser até três vezes maior do que durante a mastigação consciente. O resultado é tensão contínua na musculatura da face, inflamação da articulação e pequenos despertares que comprometem a qualidade do descanso.

Além disso, alterações na ATM podem provocar estalos ao abrir a boca, sensação de travamento mandibular e dor ao mastigar. “A articulação temporomandibular é uma das mais complexas do corpo humano. Quando ela não está em equilíbrio, todo o sistema muscular ao redor compensa. Essa compensação gera dor referida, muitas vezes percebida como enxaqueca ou dor tensional”, afirma o especialista.

Dormir em posição inadequada também agrava o quadro. Travesseiros muito altos ou muito baixos, apoio incorreto da cervical e hábito de dormir de bruços podem potencializar a tensão muscular. O problema é que o paciente costuma tratar apenas o sintoma, não a causa.

O impacto vai além do desconforto físico. A dor matinal recorrente reduz concentração, produtividade e qualidade de vida. Executivos, profissionais que lidam com alta pressão e pessoas sob estresse constante estão entre os mais afetados. O bruxismo, inclusive, tem forte associação com fatores emocionais.

“O atendimento humanizado é essencial nesse contexto. É preciso olhar o paciente de forma integral, avaliar hábitos, rotina e nível de estresse. O tratamento pode envolver placa de mordida personalizada, ajustes oclusais e, em alguns casos, acompanhamento multidisciplinar”, destaca Villa-Nova.

Ignorar os sinais pode levar ao desgaste precoce dos dentes, fraturas dentárias, retração gengival e dores crônicas. O alerta é claro: se a dor de cabeça se repete ao acordar, vale investigar a saúde bucal antes de normalizar o desconforto.

Porque, às vezes, o problema não está no travesseiro está na mordida.

Sobre

Marcos Pereira Villa-Nova é cirurgião-dentista formado pela Universidade Estácio de Sá. Possui ampla experiência clínica no Brasil e nos Estados Unidos, com atuação em atendimento humanizado e planejamento de tratamento personalizado. Ao longo da carreira, participou de congressos internacionais, incluindo o Yankee Dental Congress 2025, em Boston, e acumula experiência em gestão estratégica e coordenação de novos pacientes em clínicas odontológicas.

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