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15ª Mostra de Cinema e Direitos Humanos chega a Salvador com sessões gratuitas

  • Audiovisual, Destaque 2-tela, Sub-Editoria Tela, Tela
  • 2025-11-28
  • Sem comentários
  • 5 minutos de leitura

Crédito: Marcelo Abreu

Abertura será realizada no dia 2 de dezembro, com homenagem à cineasta indígena Sueli Maxakali. Programação segue até 5 de dezembro, com sessões temáticas, debates e destaque para o documentário baiano “Sede de rio”, de Marcelo Abreu

Salvador recebe, entre 2 e 5 de dezembro, a programação da 15ª Mostra de Cinema e Direitos Humanos (MCDH), que este ano tem como tema “Direitos humanos e emergência climática: rumo a um futuro sustentável”. As exibições acontecem no Cineteatro 2 de Julho, equipamento do Instituto de Radiodifusão Educativa da Bahia (IRDEB), com entrada gratuita. Com produções de cineastas indígenas, quilombolas, ribeirinhos e realizadores de diversas regiões do país, a Mostra propõe uma reflexão sobre as desigualdades, resistências e transformações diante da crise ambiental. Entre os destaques do evento, o documentário “Sede de rio”, do diretor baiano Marcelo Abreu Góis, encerra a programação da mostra. 

A solenidade de abertura na capital baiana é realizada no dia 2 de dezembro, terça-feira, às 19h, com a exibição do filme “Yõg Ãtak: Meu Pai, Kaiowá” (2025), de Sueli Maxakali, homenageada desta edição, e codirigido com Isael Maxakali, Roberto Romero e Luisa Lanna. Liderança do povo Tikmũ’ũn, professora, fotógrafa, multiartista e doutora por Notório Saber em Letras pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Sueli é referência no cinema indígena contemporâneo, e seu filme mais recente foi premiado nos festivais de Brasília, CachoeiraDoc e Ecofalante. Confira o teaser AQUI. 

Realizada pelo Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC), a mostra percorre 12 capitais brasileiras, sendo uma das principais e mais longevas ações da pasta voltadas à educação e cultura em direitos humanos, reconhecendo o audiovisual como ferramenta de transformação social. A edição 2025 tem parceria com a Universidade Federal do Ceará (UFC), por meio do Curso de Cinema e Audiovisual da instituição. Em Salvador, o evento conta com o apoio do Governo do Estado da Bahia, por meio da Secretaria de Educação; do IRDEB; da TVE, Educadora FM, TV Educa Bahia; do Cineteatro 2 de Julho; além do Instituto de Humanidades, Artes e Ciências Professor Milton Santos (IHAC); do Mestrado Profissional em Artes (PROF-ARTES) da Universidade Federal da Bahia (UFBA); e Tenda dos Milagres Produções Artísticas e Culturais.

FILMES 

Além do baiano “Sede de rio”, que acompanha a jornada espiritual de Seu Nir, o último capitão de embarcações ribeirinhas do Rio São Francisco, tecendo um olhar sensível sobre o território, a memória e a relação afetiva com as águas, a 15ª MCDH inclui filmes como “Pau d’arco” da diretora Ana Aranha, sobre a luta por justiça no Pará; “Ainda há moradores aqui” de Tiago Rodrigues, que aborda as marcas do desastre urbano causado pela Braskem em Maceió; “Sukande Kasáká | Terra doente” de Kamikia Kisedje e Fred Rahal, que revela os impactos dos agrotóxicos sobre o povo Kisêdjê, no Parque Indigena do Xingu, no Mato Grosso; e “Faísca” de Barbara Matias Kariri, que discute o desaparecimento das onças como metáfora do desequilíbrio ambiental.

Com curadoria de Beatriz Furtado, professora do Instituto de Cultura e Arte da UFC, e Janaina de Paula, jornalista e realizadora, a Mostra apresenta 21 curtas, médias e longas-metragens, divididos em quatro sessões temáticas. Terra/Nêgo Bispo ressalta o pensamento quilombola e a força dos territórios comunitários, Águas/Antônia Melo faz referência à fundadora do Movimento Xingu Vivo Para Sempre, em Altamira (PA), reunindo filmes atravessados pela questão hídrica, já a sessão Floresta/Raoni homenageia o líder caiapó, internacionalmente reconhecido por sua luta em defesa dos povos indígenas e da Amazônia, tema central dos quatro filmes exibidos, e a sessão Infantil apresenta o longa “Chico Bento e a Goiabeira Maraviósa”, de Fernando Fraiha, e obras que exploram o imaginário e a diversidade brasileira.

Todas as sessões contam com Libras e Legendagem para Surdos e Ensurdecidos (LSE), garantindo acessibilidade e inclusão. Após as exibições, o público poderá participar de debates com realizadores e convidados que também terão interpretação em Libras.

OFICINA

Como parte da programação, a Mostra Cinema e Direitos Humanos realiza, nas semanas que antecedem as exibições, a oficina “Imagens do comum:  cinema, educação e direitos humanos”. A atividade é voltada a educadores, agentes culturais e comunicadores populares. Em Salvador, a formação foi conduzida pela pesquisadora e produtora cultural Joana Horta, nos dias 11, 12 e 14 de novembro, na Universidade Federal da Bahia (UFBA).

A oficina promoveu a reflexão crítica sobre a cultura dos direitos humanos por meio da linguagem cinematográfica, combinando exibições, exercícios de criação audiovisual e rodas de conversa. A proposta discute como as imagens ajudam a construir formas de representar territórios, modos de vida e identidades.

Com encontros que totalizaram nove horas/aula, a formação estimulou os participantes a se apropriarem do cinema como ferramenta de afirmação cultural, preservação de saberes tradicionais e fortalecimento de vínculos comunitários. A ação integra o eixo formativo da Mostra e incentiva a replicação dessas práticas em espaços educativos e culturais de Salvador.

HISTÓRICO DA MOSTRA

A Mostra Cinema e Direitos Humanos é uma estratégia do Governo Federal para a consolidação da educação e da cultura em Direitos Humanos, entendendo o audiovisual nacional como forte aliado na construção de uma nova mentalidade coletiva para o exercício da solidariedade e do respeito às diferenças.

Criada em 2006, com a finalidade de celebrar o aniversário da Declaração Universal dos Direitos  Humanos, a mostra amplia e diversifica os espaços de informações e debates sobre direitos  humanos, por meio da linguagem cinematográfica, tornando-se instrumento valioso de diálogo  e transformação para públicos com pouco ou nenhum conhecimento sobre direitos humanos. 

PROGRAMAÇÃO

>> Dia 1 – 2/12, terça-feira 

– Sessão de abertura – 19h às 21h

Classificação indicativa: 12 anos 

Coffee break

Solenidade 

Yõg Ãtak: Meu Pai, Kaiowá (2024, 90′) – MG

Direção: Sueli Maxakali, Isael Maxakali, Roberto Romero e Luisa Lanna

>> Dia 2 – 3/12, quarta-feira 

– Sessão infantil 1 – 8h às 11h

Classificação indicativa: Livre 

Chico Bento e a goiabeira maraviósa (2025, 90′) – SP

Direção: Fernando Fraiha

Sessão infantil 2 – 14h às 17h  

Classificação indicativa: Livre 

Amazônia sem garimpo (2022, 6’34”) – RJ 

Direção: Tiago Carvalho e Julia Bernstein

No início do mundo (2025, 7’46”) – CE

Direção: Camilla Osório

Ga vī: a voz do barro (2021, 10’40”) – PR

Direção: Ana Letícia Meira Schweig, Angélica Domingos, Cleber kronun de Almeida, Eduardo Santos Schaan, Geórgia de Macedo Garcia, Gilda Wankyly Kuita, Iracema Gãh Té Nascimento, Kassiane Schwingel, Marcus A. S. Wittmann, Nyg Kuita, Vini Albernaz

Òsányìn: O segredo das folhas (2021, 22′) – AL/BA/RJ

Direção:  Pâmela Peregrino

Do colo da Terra (2025, 75′) – MG/MS/AM

Direção: Renata Meirelles e David Vêluz

– Sessão Nego Bispo (Terra) – 19h às 22h 

Classificação indicativa: 12 anos

Eu sou raiz (2022, 7′) – PE

Direção: Cíntia Lima e Lílian de Alcântara

Ainda há moradores aqui (2025, 42’50”) – AL

Direção: Tiago Rodrigues 

Pau d’arco (2025, 89′) – PA

Direção: Ana Aranha 

>> Dia 3 – 4/12, quinta-feira 

Sessão Raoni (Floresta) – 19h às 21h

Classificação indicativa: 14 anos 

SUKANDE KASÁKÁ | Terra Doente (2025, 30′) – MT

Direção: Kamikia Kisedje, Fred Rahal

Faísca (2025, 12′) – CE

Direção: Barbara Matias Kariri

Grão (2020, 16′) – MG

Direção: Adriana Miranda

Curupira e a Máquina do Destino (2021, 25′) – AM

Direção: Janaína Wagner

>> Dia 4 – 5/12, sexta-feira

– Sessão Antônia Melo (Águas) – 15h às 18h10

Classificação indicativa: 12 anos

Kutala (2025, 5′) – MG

Direção: Fabio Martins e Quilombo Manzo

Rio de mulheres (2009, 21′) – MG

Direção: Cristina Maure e Joana Oliveira

Cerrado, coração das águas: Conexão Caatinga (2025, 16’46”) – GO/TO/DF/MT

Direção: Fellipe Abreu e Luis Felipe Silva

As lavadeiras do rio Acaraú transformam a embarcação em nave de condução (2021, 12′) – CE

Direção: Kulumym-Açu

Volta grande (2020, 27′) – PA

Direção: Fábio Nascimento 

Rua do Pescador, Nº 6 (2025, 72′) -RS

Direção: Bárbara Paz 

Sessão de encerramento – 19h15 às 21h 

Classificação indicativa: 12 anos 

Sede de Rio (2024, 72′) – BA

Direção: Marcelo Abreu Góis

SERVIÇO 

15ª Mostra Cinema e Direitos Humanos Quando: De 2 a 5 de dezembro de 2025

Onde: Cineteatro 2 de Julho – IRDEB -(Rua Pedro Gama, 413 E – Federação) 

Gratuito 

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