Abertura será realizada no dia 2 de dezembro, com homenagem à cineasta indígena Sueli Maxakali. Programação segue até 5 de dezembro, com sessões temáticas, debates e destaque para o documentário baiano “Sede de rio”, de Marcelo Abreu
Salvador recebe, entre 2 e 5 de dezembro, a programação da 15ª Mostra de Cinema e Direitos Humanos (MCDH), que este ano tem como tema “Direitos humanos e emergência climática: rumo a um futuro sustentável”. As exibições acontecem no Cineteatro 2 de Julho, equipamento do Instituto de Radiodifusão Educativa da Bahia (IRDEB), com entrada gratuita. Com produções de cineastas indígenas, quilombolas, ribeirinhos e realizadores de diversas regiões do país, a Mostra propõe uma reflexão sobre as desigualdades, resistências e transformações diante da crise ambiental. Entre os destaques do evento, o documentário “Sede de rio”, do diretor baiano Marcelo Abreu Góis, encerra a programação da mostra.
A solenidade de abertura na capital baiana é realizada no dia 2 de dezembro, terça-feira, às 19h, com a exibição do filme “Yõg Ãtak: Meu Pai, Kaiowá” (2025), de Sueli Maxakali, homenageada desta edição, e codirigido com Isael Maxakali, Roberto Romero e Luisa Lanna. Liderança do povo Tikmũ’ũn, professora, fotógrafa, multiartista e doutora por Notório Saber em Letras pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Sueli é referência no cinema indígena contemporâneo, e seu filme mais recente foi premiado nos festivais de Brasília, CachoeiraDoc e Ecofalante. Confira o teaser AQUI.
Realizada pelo Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC), a mostra percorre 12 capitais brasileiras, sendo uma das principais e mais longevas ações da pasta voltadas à educação e cultura em direitos humanos, reconhecendo o audiovisual como ferramenta de transformação social. A edição 2025 tem parceria com a Universidade Federal do Ceará (UFC), por meio do Curso de Cinema e Audiovisual da instituição. Em Salvador, o evento conta com o apoio do Governo do Estado da Bahia, por meio da Secretaria de Educação; do IRDEB; da TVE, Educadora FM, TV Educa Bahia; do Cineteatro 2 de Julho; além do Instituto de Humanidades, Artes e Ciências Professor Milton Santos (IHAC); do Mestrado Profissional em Artes (PROF-ARTES) da Universidade Federal da Bahia (UFBA); e Tenda dos Milagres Produções Artísticas e Culturais.
FILMES
Além do baiano “Sede de rio”, que acompanha a jornada espiritual de Seu Nir, o último capitão de embarcações ribeirinhas do Rio São Francisco, tecendo um olhar sensível sobre o território, a memória e a relação afetiva com as águas, a 15ª MCDH inclui filmes como “Pau d’arco” da diretora Ana Aranha, sobre a luta por justiça no Pará; “Ainda há moradores aqui” de Tiago Rodrigues, que aborda as marcas do desastre urbano causado pela Braskem em Maceió; “Sukande Kasáká | Terra doente” de Kamikia Kisedje e Fred Rahal, que revela os impactos dos agrotóxicos sobre o povo Kisêdjê, no Parque Indigena do Xingu, no Mato Grosso; e “Faísca” de Barbara Matias Kariri, que discute o desaparecimento das onças como metáfora do desequilíbrio ambiental.
Com curadoria de Beatriz Furtado, professora do Instituto de Cultura e Arte da UFC, e Janaina de Paula, jornalista e realizadora, a Mostra apresenta 21 curtas, médias e longas-metragens, divididos em quatro sessões temáticas. Terra/Nêgo Bispo ressalta o pensamento quilombola e a força dos territórios comunitários, Águas/Antônia Melo faz referência à fundadora do Movimento Xingu Vivo Para Sempre, em Altamira (PA), reunindo filmes atravessados pela questão hídrica, já a sessão Floresta/Raoni homenageia o líder caiapó, internacionalmente reconhecido por sua luta em defesa dos povos indígenas e da Amazônia, tema central dos quatro filmes exibidos, e a sessão Infantil apresenta o longa “Chico Bento e a Goiabeira Maraviósa”, de Fernando Fraiha, e obras que exploram o imaginário e a diversidade brasileira.
Todas as sessões contam com Libras e Legendagem para Surdos e Ensurdecidos (LSE), garantindo acessibilidade e inclusão. Após as exibições, o público poderá participar de debates com realizadores e convidados que também terão interpretação em Libras.
OFICINA
Como parte da programação, a Mostra Cinema e Direitos Humanos realiza, nas semanas que antecedem as exibições, a oficina “Imagens do comum: cinema, educação e direitos humanos”. A atividade é voltada a educadores, agentes culturais e comunicadores populares. Em Salvador, a formação foi conduzida pela pesquisadora e produtora cultural Joana Horta, nos dias 11, 12 e 14 de novembro, na Universidade Federal da Bahia (UFBA).
A oficina promoveu a reflexão crítica sobre a cultura dos direitos humanos por meio da linguagem cinematográfica, combinando exibições, exercícios de criação audiovisual e rodas de conversa. A proposta discute como as imagens ajudam a construir formas de representar territórios, modos de vida e identidades.
Com encontros que totalizaram nove horas/aula, a formação estimulou os participantes a se apropriarem do cinema como ferramenta de afirmação cultural, preservação de saberes tradicionais e fortalecimento de vínculos comunitários. A ação integra o eixo formativo da Mostra e incentiva a replicação dessas práticas em espaços educativos e culturais de Salvador.
HISTÓRICO DA MOSTRA
A Mostra Cinema e Direitos Humanos é uma estratégia do Governo Federal para a consolidação da educação e da cultura em Direitos Humanos, entendendo o audiovisual nacional como forte aliado na construção de uma nova mentalidade coletiva para o exercício da solidariedade e do respeito às diferenças.
Criada em 2006, com a finalidade de celebrar o aniversário da Declaração Universal dos Direitos Humanos, a mostra amplia e diversifica os espaços de informações e debates sobre direitos humanos, por meio da linguagem cinematográfica, tornando-se instrumento valioso de diálogo e transformação para públicos com pouco ou nenhum conhecimento sobre direitos humanos.
PROGRAMAÇÃO
>> Dia 1 – 2/12, terça-feira
– Sessão de abertura – 19h às 21h
Classificação indicativa: 12 anos
Coffee break
Solenidade
Yõg Ãtak: Meu Pai, Kaiowá (2024, 90′) – MG
Direção: Sueli Maxakali, Isael Maxakali, Roberto Romero e Luisa Lanna
>> Dia 2 – 3/12, quarta-feira
– Sessão infantil 1 – 8h às 11h
Classificação indicativa: Livre
Chico Bento e a goiabeira maraviósa (2025, 90′) – SP
Direção: Fernando Fraiha
Sessão infantil 2 – 14h às 17h
Classificação indicativa: Livre
Amazônia sem garimpo (2022, 6’34”) – RJ
Direção: Tiago Carvalho e Julia Bernstein
No início do mundo (2025, 7’46”) – CE
Direção: Camilla Osório
Ga vī: a voz do barro (2021, 10’40”) – PR
Direção: Ana Letícia Meira Schweig, Angélica Domingos, Cleber kronun de Almeida, Eduardo Santos Schaan, Geórgia de Macedo Garcia, Gilda Wankyly Kuita, Iracema Gãh Té Nascimento, Kassiane Schwingel, Marcus A. S. Wittmann, Nyg Kuita, Vini Albernaz
Òsányìn: O segredo das folhas (2021, 22′) – AL/BA/RJ
Direção: Pâmela Peregrino
Do colo da Terra (2025, 75′) – MG/MS/AM
Direção: Renata Meirelles e David Vêluz
– Sessão Nego Bispo (Terra) – 19h às 22h
Classificação indicativa: 12 anos
Eu sou raiz (2022, 7′) – PE
Direção: Cíntia Lima e Lílian de Alcântara
Ainda há moradores aqui (2025, 42’50”) – AL
Direção: Tiago Rodrigues
Pau d’arco (2025, 89′) – PA
Direção: Ana Aranha
>> Dia 3 – 4/12, quinta-feira
Sessão Raoni (Floresta) – 19h às 21h
Classificação indicativa: 14 anos
SUKANDE KASÁKÁ | Terra Doente (2025, 30′) – MT
Direção: Kamikia Kisedje, Fred Rahal
Faísca (2025, 12′) – CE
Direção: Barbara Matias Kariri
Grão (2020, 16′) – MG
Direção: Adriana Miranda
Curupira e a Máquina do Destino (2021, 25′) – AM
Direção: Janaína Wagner
>> Dia 4 – 5/12, sexta-feira
– Sessão Antônia Melo (Águas) – 15h às 18h10
Classificação indicativa: 12 anos
Kutala (2025, 5′) – MG
Direção: Fabio Martins e Quilombo Manzo
Rio de mulheres (2009, 21′) – MG
Direção: Cristina Maure e Joana Oliveira
Cerrado, coração das águas: Conexão Caatinga (2025, 16’46”) – GO/TO/DF/MT
Direção: Fellipe Abreu e Luis Felipe Silva
As lavadeiras do rio Acaraú transformam a embarcação em nave de condução (2021, 12′) – CE
Direção: Kulumym-Açu
Volta grande (2020, 27′) – PA
Direção: Fábio Nascimento
Rua do Pescador, Nº 6 (2025, 72′) -RS
Direção: Bárbara Paz
Sessão de encerramento – 19h15 às 21h
Classificação indicativa: 12 anos
Sede de Rio (2024, 72′) – BA
Direção: Marcelo Abreu Góis
SERVIÇO
15ª Mostra Cinema e Direitos Humanos Quando: De 2 a 5 de dezembro de 2025
Onde: Cineteatro 2 de Julho – IRDEB -(Rua Pedro Gama, 413 E – Federação)
Gratuito















