Estudos mostram associação significativa entre acne, depressão e ansiedade e, por isso, acompanhamento médico é fundamental
A acne ainda costuma ser tratada como uma questão meramente estética. Porém, quem convive com o quadro sabe que os impactos vão muito além da pele, especialmente na adolescência. Em uma fase marcada pela construção da identidade e da autoestima, as lesões no rosto e tronco podem afetar profundamente a confiança e o bem-estar dos jovens, com reflexos diretos nas relações sociais e até no desempenho escolar1.
Estudos mostram que a acne tem alta prevalência na adolescência, entre 80% e 85%, e está associada à pior qualidade de vida, sentimentos de vergonha, inibição e dificuldades de aceitação social1,2,3. Além disso, pesquisas mostraram uma associação significativa entre acne, depressão e ansiedade4,5.
Hoje em dia, a pressão por uma pele limpa é potencializada pelas redes sociais. Adolescentes passam horas consumindo imagens com filtros e padrões irreais de beleza, além de estarem mais expostos a comentários maldosos, comparações constantes e até situações de bullying e cyberbullying. Nesse contexto, a acne pode provocar isolamento, insegurança e prejuízos significativos para a saúde mental dos jovens4,6-8.
É justamente por isso que o acompanhamento dermatológico faz tanta diferença na jornada dos pacientes com acne. Mais do que tratar as lesões, o dermatologista tem papel fundamental ao acolher, orientar e ajudar cada paciente a compreender que há um caminho para recuperar a saúde da pele e, consequentemente, a autoestima4,8,9.
“É importante lembrar que cada pele é única. Por isso, cada tratamento pede um olhar preciso e individual. Não existe solução universal, e a escolha do melhor tratamento depende de fatores como o tipo de acne, a intensidade das lesões, a sensibilidade da pele, além de questões emocionais e da rotina do paciente”, explica a dermatologista Letícia Secco, médica consultora da Libbs.
Segundo a médica, outro ponto fundamental é combater a cultura da automedicação e das “receitas mágicas e milagrosas” frequentemente disseminadas na internet. Muitos jovens testam produtos sem orientação adequada, o que pode piorar o quadro e atrasar o tratamento correto. Por isso, buscar orientação médica é essencial, pois é o dermatologista quem vai definir o melhor tratamento para cada caso8-11.
“Quando há acompanhamento especializado, o paciente entende melhor sua condição, cria expectativas mais realistas e se sente amparado durante o processo de melhora. É importante lembrar que cuidar da acne também é cuidar da autoestima e da autoconfiança”, finaliza Secco.
Referências
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3. Tan JKL. Psychosocial impact of acne vulgaris: evaluating the evidence. Skin Therapy Lett. 2004;9(7):1–3.
4. Dumont S, Lorthe E, Loizeau A, et al.; SEROCoV-KIDS study group. Acne-related quality of life and mental health among adolescents: a cross-sectional analysis. Clin Exp Dermatol. 2025 Mar 26;50(4):795-803.
5. Samuels DV, Rosenthal R, Lin R, Chaudhari SP, Natsuaki MN. Acne vulgaris and risk of depression and anxiety: a meta-analytic review. J Am Acad Dermatol. 2020;83(2):532‑41.
6. Rieder E, Andriessen A, Cutler VJ, et al. Dermatology in contemporary times: building awareness of social media’s association with adolescent skin disease and mental health. J Drugs Dermatol. 2023;22(8):817‑25.
7. Koronczai B, Demetrovics Z. The association between social media use and mental health among adolescents and young adults. Eur Psychiatry. 2022 Sep 1;65(Suppl 1):S126.
8. Uslu E, Utlu Z, Metin N, Karaca Ural Z, Naktiyok S, Akköprü H. Body image and mental health challenges in adolescents with acne. Postepy Dermatol Alergol. 2025 Dec 16;42(6):549-556.
9. Layton AM, Alexis A, Baldwin H, et al. The Personalized Acne Treatment Tool – Recommendations to facilitate a patient-centered approach to acne management from the Personalizing Acne: Consensus of Experts. JAAD Int. 2023 Apr 26;12:60-69.
10. Guguluș D, Solovăstru L, Mocanu M, Pătrașcu A, Vîță D. The psychosocial impact of acne and self-medication. Bull Integr Psychiatry. 2023;29(2):15‑21.
11. Sachar M, Xiong M, Lee KC. Consumer preferences of top-rated over-the-counter acne treatment products: a cohort study. Arch Dermatol Res. 2022 Oct;314(8):815-821.












