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Alimentação e enxaqueca. O que vai ao prato faz toda a diferença!

  • Destaque 1-vitalidade, Saúde, Sub-Editoria Vitalidade, Vitalidade
  • 2025-09-05
  • Sem comentários
  • 3 minutos de leitura

O que você come pode influenciar a frequência, intensidade e controle da doença. O apoio nutricional tem papel estratégico em planos terapêuticos integrados.

A enxaqueca, muitas vezes confundida com a dor de cabeça, é uma doença neurológica crônica, hereditária e complexa, que afeta cerca de 30 milhões de brasileiros, segundo a Organização Mundial de Saúde. Diferente da dor de cabeça – que é sempre um sintoma de que algo não vai bem no organismo -, a enxaqueca é marcada por episódios de dor intensa, que podem ser acompanhados de outros sintomas como náuseas, distúrbios visuais, zumbidos, alterações de humor e até desequilíbrios gastrointestinais. Embora não seja causada por alimentos, certos ingredientes podem funcionar como gatilhos poderosos, desencadeando, agravando e cronificando a condição. 

Por ser hereditária, a enxaqueca não tem cura. Mas tem tratamento! O cuidado deve ser personalizado e multidisciplinar. Entre os profissionais envolvidos no manejo da doença e das crises que ela faz acontecer, o apoio do nutricionista é fundamental no processo, colaborando diretamente para a redução da frequência, intensidade e duração das crises. 

“A enxaqueca é uma doença de um cérebro hiperexcitável. Substâncias estimulantes presentes em alguns alimentos — como cafeína e compostos termogênicos como o gengibre e a canela, por exemplo — podem atuar como gatilhos e ‘pioradores’ das crises, especialmente em indivíduos com mais sensibilidade neurológica”, explica Thais Villa, médica neurologista, especialista no diagnóstico e tratamento da enxaqueca. 

Alimentos que estimulam o cérebro:

  • Bebidas com cafeína: como café; chá preto, branco e verde, matcha, mate; refrigerante de cola ou guaraná, energéticos, entre outros;
     
  • Pré treinos e suplementos estimulantes;
     
  • Alimentos ricos em glutamato monossódico (como temperos prontos, salgadinhos, biscoitos e molho shoyu);
     
  • Alimentos com ação termogênica, como pimentas fortes, gengibre, cúrcuma e canela.
     

A médica reforça que a enxaqueca não é uma doença de causa alimentar, e sim neurológica. A alimentação pode funcionar como um fator de agravamento ou como gatilho, e por isso não deve ser tratada como única solução. 

“Cortar alimentos é parte do processo, não a solução isolada. O tratamento da enxaqueca precisa ser integrado, com acompanhamento neurológico e intervenções medicamentosas e não medicamentosas. O apoio nutricional é estratégico para melhorar a resposta ao tratamento, oferecendo orientações personalizadas”, completa Thais Villa. 

A nutricionista Andréia Oliveira, que atua no Headache Center Brasil de cuidado integrado da enxaqueca e fundado por Villa, reforça a conscientização sobre o papel do apoio nutricional no manejo da doença, contribuindo para que mais pacientes encontrem alívio em um tratamento completo, e não apenas que “mascara” a dor e acaba cronificando a doença. 

“Assim como no diabetes, em que o açúcar precisa ser controlado, mas não é o único componente da abordagem terapêutica, a enxaqueca exige um plano completo. O trabalho multidisciplinar tem se mostrado cada vez mais eficaz no manejo da doença e de seus sintomas, que muitas vezes incluem distúrbios gastrointestinais, de sono, de comer compulsivo, situações em que a atuação do nutricionista se torna fundamental.”, conclui a nutricionista. 

Dra Thais Villa (CRM 110217) – Neurologista especialista no diagnóstico e tratamento da enxaqueca. Idealizadora do Headache Center Brasil, clínica multiprofissional pioneira e única no país no diagnóstico e tratamento integrado das dores de cabeça e da enxaqueca. Neurologista com Doutorado pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) e Pós-Doutorado pela Universidade da Califórnia (UCLA) nos Estados Unidos. Professora de Neurologia e Chefe do Setor de Cefaleias na UNIFESP (2015 a 2022). Membro Titular da Academia Brasileira de Neurologia. Membro da Sociedade Brasileira de Cefaleia. Membro do Conselho Consultivo do Comitê de Cefaleias na Infância e Adolescência da International Headache Society. Atua exclusivamente na pesquisa e atendimento de pacientes com dor de cabeça, no diagnóstico e tratamento da enxaqueca, enxaqueca crônica, cefaleia em salvas e outras cefaleias. Palestrante convidada em congressos nacionais e internacionais.

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