Por Gina Marocci
Todo o Brasil sabe que o Nordeste é pura alegria no mês de junho. Afinal, além de festejar santos muito amados, Antônio, João e Pedro, é o tempo de colher milho, amendoim, laranja, aipim e mandioca, que foram plantados lá em março, quando as orações a São José, para pedir a chuva bendita, permitiram o plantio dessas maravilhosas espécies.
As capitais nordestinas, destinos tão procurados ao longo do ano, se rendem ao fluxo inverso, da busca pelas cidades do interior, as rainhas do forró. Apesar de algumas capitais promoverem eventos forrozeiros, nada se compara aos festejos do interior. Assim, Campina Grande (PB) encanta a todos com as ricas quadrilhas, e Caruaru (PE), pede licença ao frevo e deixa reinar o xaxado, o baião e outros ritmos do forró. Em Alagoas, as cidades disputam pelo lugar de melhor São João raiz, com as tradicionais quadrilhas e shows. Em Sergipe, do mesmo jeito, mas em todos os lugares a alegria, o colorido e a presença dos visitantes fazem a temperatura subir. Na Bahia, não é diferente: Cruz das Almas, Senhor do Bonfim e Amargosa são alguns destinos muito procurados. No Rio Grande do Norte destacam-se Mossoró, Natal e Assú, todas elas com concursos de quadrilhas e shows. No Ceará, 17 municípios se integram aos festejos, sendo destaques Fortaleza, Juazeiro do Norte e Maracanaú. Do mesmo modo, Teresina e outras cidades do Piauí festejam com quadrilhas, muita música e comidas deliciosas.

Festejos em Caruaru (https://www.gov.br/turismo/pt-br/assuntos/noticias/foto-da-semana-o-sao-joao-de-caruaru-pe/27-05-22-sao-joao-caruaru-credito-organizacao.png).
No Maranhão, além das quadrilhas, uma das comemorações mais famosas e exclusivas é a Festa de São Marçal, cuja grande estrela é o Bumba-meu-boi, que em meio a músicas, teatro e danças, conta-se a história de Pai Francisco e Mãe Catirina roubando o boi de estimação de um fazendeiro. Há também o famoso Tambor de Crioula, Patrimônio Cultural Imaterial, uma dança de roda circular conduzida por tambores artesanais e marcada pela umbigada, circular, cantos e à devoção a São Benedito.

Apesar dos riscos e das restrições, a fogueira de São João é uma tradição que une raízes históricas, religiosas e folclóricas, muito anteriores ao Cristianismo. No hemisfério norte, antigos povos acendiam fogueiras para festejar o solstício de verão, celebrar a boa colheita e afastar maus espíritos. Para os católicos, ela marca o anúncio do nascimento de São João, o batista, quando Santa Isabel fez uma fogueira no alto de montanha para avisar a sua prima Maria que ele havia nascido.
Para os festejos, cada santo tem um formato de fogueira próprio. A de Santo Antônio é a mais comum, com a base quadrada, que de acordo com a tradição, simboliza a estabilidade, a firmeza e o equilíbrio.

A fogueira de São João tem a base circular, com as peças se encontrando como um cone. Acredita-se que ela simboliza a união da comunidade pela fé e os ciclos da natureza. Já a fogueira de São Pedro é triangular, formato escolhido para homenagear a Santíssima Trindade (Pai, Filho e Espírito Santo), um dos pilares da doutrina cristã.

Já que os festejos juninos duram o mês inteiro, até que vale a pena curtir o melhor de cada um dos nove estados do Nordeste.














