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Dimitri Ganzelevitch celebra 90 anos com exposição e lançamento de livro na Aliança Francesa

  • Artes Visuais, Destaque 2-tela, Sub-Editoria Tela, Tela
  • 2026-07-02
  • Sem comentários
  • 3 minutos de leitura

Dimitri Ganzelevitch

Galerista, fotógrafo, ator, crítico gastronômico e articulador cultural, francês de origem russa nascido em Marrocos radicado há cinco décadas em Salvador apresenta mostra fotográfica e lança publicação dedicada ao Carnaval de Maragogipe

A Aliança Francesa de Salvador recebe, no dia 16 de julho, das 17h às 20h, a abertura da exposição fotográfica “Imagens do Povo da Bahia”, de Dimitri Ganzelevitch. A mostra reúne 33 obras produzidas ao longo dos últimos 20 anos e integra a programação que celebra os 90 anos do artista, galerista, colecionador e articulador cultural. Na mesma ocasião, Dimitri lança o livro “O Carnaval de Maragogipe”, com registros feitos por ele durante seis anos. A publicação será vendida por R$ 100.

O encontro marca uma trajetória construída em torno da arte, da fotografia, da cultura popular e da preservação da memória urbana. Nascido em 1936, filho de mãe francesa e pai anglo-russo, Dimitri viveu e estudou em diferentes países antes de se estabelecer no Brasil. Passou por Marrocos, Espanha, Portugal, França e Inglaterra, onde frequentou escolas e ateliês de arte, escreveu para jornais e formou um olhar atento às expressões culturais que nascem da vida cotidiana.

Info
Dimitri mudou-se para Salvador em 1975. Depois de um breve período na Barra, escolheu o Centro Histórico como endereço e campo de atuação. Instalou-se primeiro na Rua do Passo e abriu a Galeria da Sereia, apontada em sua biografia como a primeira galeria do Pelourinho. O espaço recebeu obras de nomes como Mário Cravo, Carybé, Rescala, Juarez Paraíso e Hansen-Bahia, além de artistas em início de trajetória.

Ao longo das décadas seguintes, sua atuação ajudou a ampliar a circulação de artistas, acervos e manifestações populares na cidade. Mais do que galerista, Dimitri tornou-se um personagem ativo da cena cultural baiana, envolvido em exposições, projetos editoriais, ações de rua, iniciativas de valorização do Centro Histórico e encontros entre artistas, intelectuais, moradores e visitantes.

Sua história também se aproxima de temas que ajudam a contar Salvador por outros ângulos: festas de largo, carros de cafezinho, presépios, fachadas antigas, azulejos, mercados, escadarias, manifestações afro-brasileiras e cenas de rua. Em todos esses campos, Dimitri construiu uma pesquisa visual e afetiva marcada pela atenção ao que muitas vezes passa despercebido no cotidiano.

Dimitri e o Santo Antônio Além do Carmo
Essa relação com a cidade ganhou força especial no Santo Antônio Além do Carmo, bairro onde mora desde 1985 e mantém seu ateliê, loja e espaço de memória. Muito antes de a região se consolidar como um dos endereços culturais mais movimentados de Salvador, Dimitri já atuava ali como incentivador de atividades artísticas e defensor da preservação do patrimônio. Sua presença no bairro ajudou a aproximar arte, convivência, acervo e vida urbana.

A ligação com a Aliança Francesa também atravessa sua trajetória. Nos anos 1980, Dimitri integrou o comitê da instituição e desenvolveu atividades voltadas à divulgação da cultura baiana em Salvador e no exterior. Por isso, a realização da exposição no espaço tem valor simbólico. A mostra celebra não apenas seus 90 anos, mas também uma história de diálogo entre culturas, territórios e linguagens artísticas.

Em “Imagens do Povo da Bahia”, Dimitri apresenta um recorte de sua produção fotográfica recente. As imagens percorrem rostos, gestos, festas e situações registradas ao longo de duas décadas. O interesse do artista está menos na imagem oficial da Bahia e mais na força das pessoas, dos encontros e das manifestações que dão forma à vida popular.

Maragogipe
O livro “O Carnaval de Maragogipe” amplia essa pesquisa visual. A publicação reúne fotografias feitas por Dimitri  durante seis anos e se dedica a uma das festas mais expressivas do Recôncavo baiano. Nas imagens, o carnaval aparece por meio de máscaras, fantasias, personagens e cenas que revelam a criatividade coletiva da celebração.

Aos 90 anos, Dimitri Ganzelevitch segue em atividade, viajando, observando, fotografando, reunindo acervos e criando pontes entre pessoas e lugares. Sua trajetória atravessa países, galerias, ruas, casas, festas e instituições culturais, mas encontra em Salvador um campo permanente de trabalho e criação. A exposição e o livro reafirmam esse percurso e celebram uma vida dedicada à arte, à memória e à cultura popular.

Serviço

O quê: Abertura da exposição “Imagens do Povo da Bahia” e lançamento do livro “O Carnaval de Maragogipe”, de Dimitri Ganzelevitch

Quando: 16 de julho, das 17h às 20h

Onde: Aliança Francesa de Salvador, Av. Sete de Setembro, 401, Ladeira da Barra

Acesso aberto a todos

Valor do livro: R$ 100

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