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Disfagia e envelhecimento: o desafio invisível da alimentação na terceira idade

  • Destaque 2-envelhescência, Envelhescência, Sub-Editoria Envelhescência
  • 2025-03-19
  • Sem comentários
  • 2 minutos de leitura

Enquanto o Brasil envelhece rapidamente, uma condição silenciosa ameaça a qualidade de vida dos idosos: a disfagia. Caracterizada pela dificuldade em engolir alimentos, líquidos e até a própria saliva, a condição pode levar a desnutrição, pneumonias recorrentes e perda acelerada de peso, afetando não apenas a saúde física, mas também o bem-estar emocional e a autonomia dos indivíduos.

Segundo o último Censo do IBGE, a população com mais de 65 anos aumentou 57% em apenas 12 anos. Apesar desse crescimento expressivo, o país ainda não está devidamente preparado para lidar com os desafios do envelhecimento. “A alimentação não pode ser vista apenas como uma necessidade nutricional, mas como um pilar central da qualidade de vida”, afirma a Dra. Juliana Venites, fonoaudióloga e especialista em gerontologia. “O ato de comer envolve autonomia, prazer e socialização. Quando há dificuldades para engolir, o impacto vai muito além da saúde física.”

Dados indicam que cerca de 30% das pessoas acima de 60 anos, mesmo aquelas independentes e saudáveis, apresentam algum grau de dificuldade para engolir determinados alimentos. Em idosos com doenças neurológicas como AVC, Parkinson ou Alzheimer, esse índice pode chegar a 70%. No entanto, o tema segue pouco debatido e, muitas vezes, negligenciado até que as complicações se tornem severas.

Além das dificuldades diretamente relacionadas à deglutição, há ainda outro fator agravante: a perda de dentes. A ausência de um acompanhamento odontológico adequado ao longo da vida pode comprometer a mastigação e reduzir ainda mais a ingestão de proteínas, essenciais para a manutenção da massa muscular. “A perda de força nos músculos do corpo também afeta os músculos responsáveis pela deglutição. O idoso come menos, perde mais massa muscular e se torna ainda mais frágil. É um ciclo perigoso que precisa ser interrompido”, alerta a Dra. Cristina Zerbinati Carro, fonoaudióloga hospitalar e especialista em disfagia.

A boa notícia é que a disfagia pode ser diagnosticada e tratada. Fonoaudiólogos desempenham um papel fundamental na reabilitação, por meio de exercícios específicos e adaptações na alimentação. Além disso, nutricionistas e dentistas são aliados essenciais para garantir que os idosos tenham condições adequadas para se alimentar de forma segura e saudável.

Com o Dia Nacional de Atenção à Disfagia, celebrado em 20 de março, especialistas reforçam a necessidade de conscientização sobre o tema. “Se queremos um envelhecimento saudável, precisamos incluir a saúde da deglutição na pauta. Garantir que os idosos possam se alimentar sem riscos é uma questão de dignidade e qualidade de vida”, conclui a Dra. Venites.

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