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Espetáculo “SEM:TERRA”, do COATO Coletivo, estreia no Espaço Cultural da Barroquinha

  • Destaque 1-ribalta, Ribalta, Sub-Editoria Ribalta, Teatro
  • 2026-05-04
  • Sem comentários
  • 4 minutos de leitura

Divulgação

Entre terra revolvida e corpos em deslocamento, “SEM:TERRA” emerge como um rito cênico que convoca memória, conflito e sonho coletivo. A nova peça performativa do COATO Coletivo estreia em Salvador como parte do projeto Território Expandido: Arte Local e Global, ocupando o Espaço Cultural da Barroquinha, com temporada de 08 a 17 de maio, sempre às 19h (com exceção dos dias 10 e 11 de maio). 

Em cena, uma instalação performativa que tensiona a relação entre humanidade e terra, propondo ao público uma travessia sensível por disputas, memórias e utopias. Os ingressos custam a partir de R$10 (dez reais) – venda pelo SYMPLA, com sessões acessíveis que contam com audiodescrição e Libras.

A obra – que se lê “Sem dois pontos Terra” – integra a segunda etapa do projeto Território Expandido, iniciativa que marca uma nova fase para o COATO ao ser seu primeiro edital de manutenção, numa prática que articula arte, política e presença entre o local e o global. 

Nesta “caminhada” em busca da expansão do corpo-território, a peça performativa “SEM:TERRA” é composta pelo elenco-performer Ana Brandão (SP), Bernardo Oliveira (BA), Danilo Lima (BA), Ixchel Castro (México), Marcus Lobo (BA), Mario Oliveira (PE), Mirela Gonzalez (RS), Natielly Santos (BA), Thiago Cohen (SP). 

A obra e seus atravessamentos

Concebida como uma criação coletiva, “SEM:TERRA” acontece por meio de uma instalação cênica que propõe um reencontro humano e artístico. A peça aborda, de forma poética e crítica, as complexas relações entre o ser humano e o território, transitando entre uso, disputa, ocupação e exploração da terra, ao mesmo tempo em que honra e celebra a Terra como mãe e origem de tudo que conhecemos. 

A luta imposta pelo capital atravessa conflitos identitários, sociais, históricos e políticos, enquanto memória, utopia, processos contra-coloniais e lutas coletivas fazem contraponto na tentativa de criar “um mundo onde caibam muitos mundos”, como propõe o movimento indígena zapatista EZLN.

A tramaturgia de “SEM:TERRA” se estrutura em três grandes blocos performativo-narrativos que se sobrepõem como camadas de um mesmo território simbólico, assinados coletivamente por Bernardo Oliveira, Ixchel Castro, Natielly Santos e Marcus Lobo. No primeiro movimento, a cena reflete sobre o percurso dos povos até a crise contemporânea. 

O que se assiste?. Entre lutas e ideologias contrastantes, imagens mediadas pela câmera fotográfica recriam paisagens de resistência cotidiana, precariedade e trabalho, enquanto o plantio e a divisão da terra aparecem como faces opostas de uma mesma moeda: colaboração e disputa, bem comum e posse excludente. Aqui a memória intergeracional ativa-se e o que se sente é a dor ancestral-contemporânea. 

Um jogo cênico é instalado. Os grandes espetáculos midiáticos e a lógica da representação social. Personagens-arquétipos, em chave brechtiana, evidenciam os papéis impostos pelo sistema, enquanto dados, perguntas e situações inspiradas na realidade brasileira colocam o público em posição ativa, influenciando diretamente as decisões em cena. Nesse território instável, o capital se revela como força estruturante de privilégios, oportunidades e exclusões, transformando corpos em avatares de um “cis-tema” que explora o corpo-terra até suas últimas consequências.

Terceiro bloco. O último movimento. A cena nos leva para o campo da memória – o espaço da utopia coletiva. Sob o céu de uma lona preta são construídas imagens que evocam sonhos compartilhados: o voo dos pássaros no fim da tarde, a busca incessante de mães por corpos desaparecidos, o refúgio precário daqueles que produzem alimento sem direito à terra. 

Entre instabilidades geracionais e promessas de futuro não cumpridas, “SEM:TERRA” aposta no sonho coletivo como gesto político e poético de reinvenção do mundo — uma fé ativa de que agir desde a própria trincheira pode incendiar a realidade, como no “mar de fogueirinhas” de Eduardo Galeano. É a partir dessa perspectiva que o COATO Coletivo, transforma a cena em espaço de encontro, escuta e diálogo com o público. 

Conexão e Circulação

Essa ética atravessa o “Território Expandido: Arte Local e Global”, projeto que reafirma a arte como prática de presença, permanência e ocupação simbólica dos territórios, conectando corpo, memória e história diante das urgências do mundo contemporâneo. Vale pontuar que o projeto teve início com a circulação comemorativa entre os meses de agosto e outubro de 2025 do espetáculo Arquivo 64/15 – Porões da Ditadura, que percorreu Lençóis, Barreiras e Cachoeira, articulada à realização do Lab.Ex – Laboratório de Experimentação Cênica nesses territórios. 

A primeira etapa do projeto se completou em janeiro de 2026 com o Liquidificador de Mídias, com o tema “Expansão de territórios artísticos: entre o local e O Global”, realizado na Casa do Benin, em Salvador, consolidando um tripé de circulação, formação e encontro que marca a retomada e a manutenção das ações do COATO Coletivo.

Este projeto foi contemplado nos Editais da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura na Bahia, realizados com recursos do Governo Federal repassados pelo Ministério da Cultura, e executados pelo Governo do Estado da Bahia, por meio da Secretaria de Cultura do Estado.

COATO

Fundado em 2013, na Escola de Teatro da UFBA, o COATO Coletivo consolidou ao longo de sua trajetória uma poética baseada na criação colaborativa, na hibridização de linguagens e no tensionamento constante entre arte e política. O grupo desenvolveu obras como Estrelas Derramadas (2013), Arquivo 64/15 – Porões da Ditadura (2015), Maçã (2016), Eu é Outro: Ensaio sobre Fronteiras (2017), Norte/Sur (2017) e Inimigos (2021).

Além dos espetáculos, o COATO é responsável pelo Festival Estudantil de Artes Cênicas da Bahia (FESTAC), realizado desde 2017 em parceria com o COOXIA Coletivo Teatral. Com o Território Expandido, o grupo reafirma sua atuação como um organismo artístico em constante deslocamento, comprometido com uma arte descentralizada, crítica e plural.

SERVIÇO

O quê: Espetáculo “SEM:TERRA” – do COATO Coletivo
Local: Espaço Cultural da Barroquinha – Salvador (BA)
Temporada: 08 a 17 de maio de 2026, às 19h (exceto dia 10 e 11)
Ingressos: a partir de R$10 (meia) – Sympla | https://www.sympla.com.br/evento/sem-terra-espetaculo-do-coato-coletivo/3398297?share_id=copiarlink
Acessibilidade: 

Todas as sessões terão acessibilidade em Libras

Sessões com audiodescrição: Dias 08, 09, 16 e 17

Mais informações: Instagram – @coatocoletivo

* Os ingressos também estão sendo vendidos na bilheteria do teatro, sujeito a lotação.

Ficha Técnica

Encenação: Coato Coletivo

Provocação: Bernardo Oliveira

Tramaturgia: Ixchel Castro, Natielly Santos, Bernardo Oliveira, Marcus Lobo

Elenco: Ana Brandão, Bernardo Oliveira, Danilo Lima, Ixchel Castro, Marcus Lobo, Mario Oliveira, Mirela Gonzalez, Natielly Santos, Thiago Cohen

Preparação corporal: Ana Brandão, Thiago Cohen

Iluminação: Marcus Lobo

Trilha sonora: Mirela Gonzalez

Cenografia: Coato Coletivo

Figurino: Coato Coletivo

Produção: Mirela Gonzalez, Ixchel Castro, Marcus Lobo

Desenho, mídias e redes sociais: Mário Oliveira

Assessoria de imprensa: Kaô Comunica

Vídeo: Lucas Sato

Foto: Enzo Karin

Mediação: Silara Aguiar, Shirley Camaraza

Acessibilidade: Taiane Alves, Allan Gandarela

Residências de criação: Caboclo de Cobre, Cassius Cardozo

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