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EXCLUSIVO! Apreciação artística da peça “A Travessia do Grão Profunda”, do Núcleo Caatinga da Cia Teatral Avatar

  • Destaque 2-ribalta, Ribalta, Teatro
  • 2025-10-14
  • Sem comentários
  • 4 minutos de leitura

Fotos - Marcelo de Jesus

Por Juliana Calligaris

Em uma travessia que é existencial, pessoal, ancestral e mítica o Núcleo Caatinga da Cia Teatral Avatar nos presenteia com o espetáculo “A Travessia do Grão Profundo”. A obra, com texto e direção de Paulo Atto e atuação de Mozar Primo, evoca uma jornada em busca do pai ausente, mas, em sua essência, revela a busca do próprio eu. O homem solitário que percorre o sertão, carregado de malas e mais malas, simboliza o fardo de uma jornada que é, sobretudo, em direção ao passado, um mergulho no grão profundo da memória e da alma.

A narrativa, que mistura poesia, humor e farsa, dialoga com a literatura brasileira de forma visceral, como as obras de Graciliano Ramos, como “Vidas Secas” e “São Bernardo”, e, de forma subjacente, com a prosa de João Guimarães Rosa, especialmente a conto “A Terceira Margem do Rio”. Aqui, no entanto, a terceira margem se revela não como um rio, mas como o próprio sertão, a Caatinga, um rio seco, que, paradoxalmente, é o caminho da travessia.

O cenário com a árvore invertida – a predestinação do trágico – e seca e o sol como uma roda de carroça, preenche o espaço com a aridez e o inevitável da travessia, enquanto a indumentária do vaqueiro, a sela, as malas e caixas de couro nos transportam para um universo simbólico do sertão. A máscara da velha Donha, trágico-cômica, e os objetos de cena, carregados de uma simbologia que remete aos diversos personagens e fases da história, são elementos que nos guiam por essa jornada sertaneja.

Na busca, o filho encontra a figura da velha Donha, uma esfinge, que lhe abre os caminhos dos mistérios iniciáticos não como um enigma, mas como uma guia que oferece uma bênção. A partir de uma garapa fermentada pelo sol e um unguento, ele recebe a permissão para mergulhar nos mistérios do sertão. A máscara da velha se revela antes mesmo que o filho a veja, pois o chapéu prostrado no chão – ele prostrado no chão, portanto – já simboliza a sua transformação na figura da anciã, uma purificação necessária para seguir em busca do pai.

O encontro com a anima, a mulher bela, representa a busca junguiana pela integração do inconsciente. O filho, deitando-se com ela sob a lua, tem um vislumbre de sua alma, mas ela se mostra fugidia, pois ainda não é tempo de possuí-la, de integrar essa parte de si. É a alma do pai que reside no filho, uma inversão profundamente perturbadora, pois a ausência do pai na infância transforma-se em uma presença constante no âmago do filho.

A encenação evoca a tradição do trovador nordestino, com uma força na voz que narra, denuncia e evoca cores, cheiros e a materialidade do corpo. O ator se transforma em diversas personagens e passagens da jornada, narrando causos de personagens que seu pai talvez tenha encontrado, revelando o abandono na infância. A narrativa do menino, que conta histórias para esquecer, torna-se um gatilho para a plateia, reacendendo em nós a lembrança da figura paterna e a complexidade dessa relação.

Aqui, o espetáculo nos coloca diante do paradoxo do perdão. A tradição psicanalítica ocidental nos ensina sobre a “morte” simbólica dos pais para a afirmação da individualidade. A maturação, no entanto, está ligada à capacidade de perdoar, como propõe Jung. A dor da injustiça do abandono só se transforma quando o filho aceita a necessidade de “matar” o pai, não no sentido literal, mas para se libertar do rancor. É como Parsifal, o arquétipo da tradição trovadoresca medieval (da qual a tradição medievalista e a trova nordestinas são herdeiras), que busca o Santo Graal e, ao se relacionar com sua anima, compreende a necessidade de perdoar.

Ao final, o filho projeta seu próprio filho no futuro, transmitindo a mensagem de que, se ele desejar conhecer o avô, ele o encontrará em seu próprio coração. O filho assume o controle de seu destino e desfaz a imagem do pai. A inversão se reverte: o pai reside, não no fardo do passado, mas na alma do filho, uma parte intrínseca de seu ser. E assim, o espetáculo nos mostra que a travessia, mesmo com a aridez do sertão, é, no fim, um caminho de redenção e de paz.

Meus sinceros cumprimentos a toda a equipe da Cia Teatral Avatar e ao Núcleo Caatinga por esta obra tão grandiosa.

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