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História viva: Estado reabre Museu do Wanderley Pinho após reforma e valoriza memórias de Candeias

  • Artes Visuais, Destaque 3, Sub-Editoria Tela, Tela
  • 2025-12-10
  • Sem comentários
  • 3 minutos de leitura

Crédito: Manu Dias / GOV

Espaço traz exposição temporária “Encruzilhadas”, que reúne 40 artistas brasileiros e africanos

Repórter: Tácio Santos/GOVBA

No coração do Recôncavo Baiano, às margens da Baía de Todos-os-Santos, a memória histórica da Bahia ganha um novo espaço de encontro com o passado. O Museu do Recôncavo Wanderley Pinho, instalado no antigo Engenho Freguesia, do século XVI, foi completamente restaurado e reinaugurado com novas exposições multimídia, iluminação cênica e áreas renovadas que ajudam a contar sua história de um jeito mais acessível e sensível ao olhar do presente. O equipamento foi entregue nesta segunda-feira (8) pelo governador Jerônimo Rodrigues.

A cerimônia reuniu moradores de Candeias, gestores estaduais e especialistas em patrimônio, em um momento que celebrou a preservação e a ressignificação da memória. Entre casarões, ruínas, obras de arte e registros da escravidão que marcaram o ciclo do açúcar no Brasil, o museu inicia uma nova fase, mais educativa e tecnológica, com foco na valorização das identidades que formaram o Recôncavo. A proposta das novas exposições é apresentar o passado de forma acessível e sensível, reforçando a importância de reconhecer e preservar histórias muitas vezes silenciadas, para que a memória permaneça viva e compreendida em seu contexto histórico.

“Este museu não é apenas um prédio restaurado. Ele representa nossa luta por reconhecer as histórias que sempre estiveram aqui, mas não eram contadas. Queremos que os estudantes, principalmente, venham, conheçam, debatam e façam sua própria leitura desse passado”, afirmou o governador Jerônimo Rodrigues, destacando o compromisso com a educação e com o fortalecimento da cultura baiana.

A reabertura também movimenta a economia local e fortalece o sentimento de pertencimento da comunidade. A comerciante Dalila Ramos, moradora de Candeias, comemora as novas oportunidades trazidas pelo museu. “Quando o museu abre as portas, ele abre também as portas para o nosso trabalho. A chegada de visitantes é boa para os negócios e para a valorização do que a gente é. Eles vêm conhecer a história e acabam conhecendo a nossa comida, o nosso artesanato, a nossa comunidade. Isso muda tudo para melhor”, afirmou.

Turismo cultural reforçado


Comandado pela Secretaria de Turismo (Setur-BA), o investimento de aproximadamente R$ 42 milhões, por meio do Prodetur Nacional Bahia, incluiu o restauro das edificações, a urbanização do entorno, a implantação de um moderno sistema de segurança com 136 câmeras e a construção de um novo atracadouro, que permitirá o acesso também pelo mar. Para o turismo, o Museu do Recôncavo entra como um novo cartão-postal do estado.

“Esta requalificação coloca o Recôncavo no mapa do turismo cultural do Brasil e do mundo. Nossa missão agora é inserir o museu em roteiros turísticos nacionais e internacionais, promovendo a região como destino histórico, educativo e de experiência cultural”, afirmou a chefe de gabinete da Setur, Giulliana Brito.

Além do museu, a Secretaria de Infraestrutura (Seinfra) executou melhorias viárias essenciais para o acesso ao equipamento cultural e ao distrito de Caboto. Foram investidos 4,5 milhões de reais na pavimentação de 2,18 km de vias, conectando a comunidade, visitantes e a rota turística pelo mar e por terra.

Representatividade e educação

O reposicionamento conceitual do Museu do Recôncavo prioriza narrativas negras e indígenas, destacando memórias antes silenciadas pela história oficial. A nova exposição temporária “Encruzilhadas” reúne 40 artistas brasileiros e africanos, entre eles Mestre Didi, Pierre Verger, Rubem Valentim e Alberto Pitta. O acervo permanente, com 260 peças históricas, teve 141 itens restaurados, incluindo imagens sacras dos séculos XVII a XIX.

“O que estamos entregando aqui é um espaço vivo, de reflexão, de crítica e de diálogo com as comunidades do entorno. Este museu agora fala a partir do Recôncavo, dos povos da terra, dos povos negros e da força que construiu este país”, destacou o secretário de Cultura, Bruno Monteiro.

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