Médico explica por que a absorção é uma etapa fundamental da suplementação e quais fatores podem interferir no aproveitamento dos nutrientes pelo organismo
Receber a recomendação médica para iniciar a suplementação de vitaminas ou minerais costuma ser o primeiro passo para corrigir uma deficiência nutricional. No entanto, nem sempre seguir corretamente o tratamento significa que o organismo está aproveitando o nutriente da maneira esperada. Isso acontece porque ingerir um suplemento é diferente de absorvê-lo de forma eficiente.
Segundo o Dr. Carlos Alberto Reyes Medina, Diretor Médico da Carnot Laboratórios, a absorção é uma etapa essencial para que o nutriente realmente exerça sua função no organismo.
“Quando falamos em suplementação, não basta apenas consumir o nutriente. Ele precisa ser absorvido pelo sistema digestivo, alcançar a corrente sanguínea e chegar às células onde será utilizado. Se esse processo não acontece de forma adequada, o benefício esperado pode ser menor”, explica.
O ferro é um dos exemplos mais conhecidos dessa dificuldade. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que a deficiência de ferro seja a principal causa de anemia no mundo, afetando especialmente mulheres em idade fértil, gestantes e crianças. Apesar da suplementação ser uma estratégia amplamente utilizada para corrigir essa deficiência, diferentes fatores podem comprometer a absorção do mineral.
Entre eles estão doenças gastrointestinais, alterações da mucosa intestinal, inflamações crônicas, uso de alguns medicamentos e até a alimentação. Bebidas como café e chá, por exemplo, quando consumidas junto às refeições ou ao suplemento, podem reduzir a absorção do ferro devido à presença de compostos que dificultam seu aproveitamento pelo organismo.
Além disso, a própria tecnologia utilizada nas formulações pode influenciar a biodisponibilidade do nutriente, termo utilizado para descrever a quantidade efetivamente absorvida e utilizada pelo organismo.
“Hoje sabemos que existem diferentes formas de apresentação dos suplementos, e algumas tecnologias foram desenvolvidas justamente para favorecer a absorção e reduzir perdas durante o processo digestivo. A escolha da melhor estratégia deve sempre ser feita pelo médico, considerando as necessidades individuais de cada paciente”, afirma Dr. Carlos.
Outro ponto importante é que a resposta ao tratamento deve ser acompanhada por exames laboratoriais. Em alguns casos, mesmo utilizando a suplementação conforme orientação, os níveis do nutriente podem não apresentar a evolução esperada, tornando necessária uma reavaliação clínica.
“Quando o paciente continua apresentando sintomas como cansaço persistente, fraqueza, dificuldade de concentração ou queda de cabelo, mesmo após iniciar o tratamento, é importante investigar se o problema está relacionado à absorção, à adesão ao tratamento ou até mesmo a outra condição clínica”, destaca.
O médico também alerta para os riscos da automedicação. A suplementação deve ser indicada apenas após avaliação profissional, já que o excesso de determinados nutrientes também pode causar efeitos adversos.
Mais do que iniciar um tratamento, corrigir uma deficiência nutricional exige acompanhamento médico, escolha adequada da estratégia terapêutica e monitoramento dos resultados. Afinal, quando o assunto é suplementação, a eficácia depende não apenas do que é ingerido, mas da capacidade do organismo de utilizar corretamente cada nutriente.












