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Metas para eliminar a tuberculose no Brasil estão longe de ser alcançadas

  • Destaque 2-vitalidade, Saúde, Sub-Editoria Vitalidade, Vitalidade
  • 2025-03-21
  • Sem comentários
  • 2 minutos de leitura

Especialista comenta o cenário e explica formas de se precaver e tratar a doença

Apesar de ser prevenível e curável, a tuberculose continua sendo uma das doenças infecciosas mais mortais do mundo.Levantamento da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) através do Instituto Gonzalo Muniz, na Bahia, divulgado em fevereiro, aponta que as atuais políticas públicas do Brasil não serão suficientes para que o país atinja as metas fixadas pela Organização Mundial de Saúde (OMS) voltadas para a eliminação da tuberculose. Em 2023, o Brasil registrou 39,8 casos de tuberculose por 100 mil habitantes. As projeções do estudo indicam que, até 2030, a incidência será ainda maior: 42,1 por 100 mil pessoas. 

Para o pneumologista Guylherme Saraiva, que atende no centro clínico do Órion Complex, em Goiânia, várias questões levam a este cenário. ‘‘Nos últimos anos, o aumento dos números de tuberculose no Brasil pode ser atribuído a uma combinação de fatores estruturais, sociais e sanitários, agravados por eventos recentes, como por exemplo a pandemia de Covid-19. Durante a pandemia, por exemplo, houve um redirecionamento de esforços e recursos, interrupção de vários serviços, além de subnotificação’’.

Por isso, para o Dia Mundial da Tuberculose (TB), celebrado em 24 de março, a OMS lança  a campanha mundial “Sim! Podemos acabar com a tuberculose” com objetivo de transmitir uma mensagem de esperança de que é possível voltar ao caminho certo para inverter a tendência da epidemia da tuberculose, cujo objetivo do órgão é a erradicação da doença até 2035. ‘‘Ainda existem desafios a serem superados como a desigualdade de acesso às tecnologias em um país continental, também a existência de populações mais vulneráveis, subnotificação e subdiagnóstico da doença’’, alerta o médico sobre a meta.

A doença
A tuberculose é uma doença infectocontagiosa e transmissível causada pela bactéria Micobacterium Tuberculosis, também conhecida como bacilo de Koch. A forma mais comum de apresentação é a tuberculose pulmonar, já que a doença afeta prioritariamente os pulmões. ‘‘Deve-se ficar atento à tosse prolongada, especialmente por mais de duas semanas, presença de escarro com rajas de sangue, febre vespertina, perda de peso e suor excessivo à noite’’, pontua Guylherme Saraiva sobre os sintomas da enfermidade.

Ele também explica como se dá a sua transmissão. ‘‘É transmissível pelas partículas liberadas pela tosse de um indivíduo contaminado. É importante evitar contato desprotegido com pessoas infectadas em fase de transmissão. Para prevenir é importante o uso de máscara. Há também a vacinação BCG feita ao nascer, que protege contra formas graves da doença’’, ressalta. Ambientes fechados, mal ventilados e aglomerações também favorecem a transmissão.

Portadores de HIV, que tem a imunidade diminuída, pessoas privadas de liberdade e também moradores de rua estão entre as populações mais vulneráveis à doença. Mas vale ressaltar ainda que o paciente com diabetes têm entre duas a três vezes mais chance de ter tuberculose do que a população em geral, além de ter mais dificuldade para responder ao tratamento. 

O pneumologista salienta ainda como se trata a tuberculose. ‘‘Hoje em dia existem tratamentos com base em medicação oral e totalmente gratuita disponível pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Paciente com a forma pulmonar da tuberculose habitualmente toma medicação oral por cerca de seis meses’’, pontua. ‘‘Os avanços tecnológicos em testagem e reconhecimento da doença são fatores que contribuem para o diagnóstico e tratamento’’, completa o especialista.

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