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Nascer sem HIV. O papel fundamental da reprodução assistida para pais soropositivos

  • Destaque 1-vitalidade, Saúde, Sub-Editoria Vitalidade, Vitalidade
  • 2025-12-02
  • Sem comentários
  • 3 minutos de leitura

Apesar dos avanços científicos, muitos mitos e temores ainda persistem na sociedade. Por isso, os especialistas reforçam a importância de divulgar informações claras e atualizadas que ajudem a eliminar estigmas associados ao HIV. A mensagem é direta no campo reprodutivo: a maternidade e a paternidade são totalmente possíveis para pessoas soropositivas, desde que haja acompanhamento médico especializado desde o planejamento até o nascimento.

Segundo os dados mais recentes do Ministério da Saúde, estima-se que mais de um milhão de pessoas vivam com HIV no Brasil. Os especialistas concordam que o primeiro passo para uma gravidez segura é o controle adequado do tratamento antirretroviral, capaz de manter a carga viral indetectável. Quando isso acontece, as chances de transmissão caem drasticamente e, a partir dessa base médica, a reprodução assistida incorpora técnicas específicas que praticamente eliminam qualquer risco adicional.

Por isso, é recomendado recorrer às técnicas de reprodução assistida para evitar o risco de infecção tanto da mãe gestante quanto do futuro bebê. Nesse sentido, a médica Genevieve Coelho, Diretora Geral do IVI Salvador explica: “a informação rigorosa torna-se uma ferramenta essencial para que as pessoas infectadas conheçam suas opções, tomem decisões informadas e possam realizar o desejo de formar uma família sem medo ou preconceito, com um tratamento totalmente personalizado”.

A chave para ter um bebê saudável: técnicas avançadas e protocolos rigorosos de controle

No caso das mulheres que convivem com o vírus, a gravidez é analisada e planejada com atenção especial, garantindo um acompanhamento próximo antes e durante a gestação. O controle rigoroso da carga viral, combinado com as medidas médicas recomendadas em cada etapa, permite reduzir a transmissão vertical a níveis mínimos. Para isso, é essencial manter um controle imunológico estrito e que o tratamento seja realizado quando a carga viral estiver muito baixa ou indetectável, com especial cuidado no terceiro trimestre e no parto. Embora, graças aos tratamentos antirretrovirais, a probabilidade de contágio seja cada vez menor, inferior a 1%, caso a carga viral esteja elevada, recomenda-se a cesárea.

“Nas últimas décadas, a experiência acumulada em unidades especializadas demonstrou que uma mulher soropositiva, com boa saúde e tratamento adequado, pode ter uma gestação sem complicações e dar à luz um bebê completamente saudável”, comenta a Dra. Genevieve.

No caso dos homens, uma das técnicas de maior destaque é o procedimento conhecido como lavagem seminal, que processa cuidadosamente a amostra de sêmen para separar os espermatozoides do plasma seminal e de outras células que poderiam conter o vírus. Após essa separação, a amostra é congelada e, em seguida, submetida a testes de biologia molecular para confirmar que está livre da infecção. Essa fração, apta para uso clínico, é utilizada posteriormente em inseminação artificial ou injeção intracitoplasmática (ICSI), com resultados altamente confiáveis e seguros.

“Há mais de uma década, no IVI, conseguimos o nascimento da primeira menina de um casal em que o homem tinha HIV e a mulher não. Desde então, a ciência avança rumo à igualdade de direitos reprodutivos. Cada vez mais famílias mostram que viver com HIV não é uma barreira para trazer ao mundo um filho desejado e saudável, o que nos permite olhar para o futuro com grande otimismo”, conclui a especialista.

01/12 – Dia Mundial de Luta Contra a Aids

Em 1987, durante a 3ª Conferência Internacional de Aids, realizada em Washington (EUA), 200 mil pessoas, ativistas e pessoas vivendo com o vírus, participaram do lado de fora do evento. Queriam ser ouvidas pela comunidade científica e pelo mundo, pois naquele momento, em que não havia tratamento, o silêncio era uma forma de morte. No ano seguinte foi proposta a criação do Dia Mundial de Luta Contra Aids e, em 27 de outubro, a Assembleia Geral da ONU e a Organização Mundial de Saúde instituíram o 1º de dezembro como data comemorativa, cinco anos após a descoberta do vírus causador da doença (HIV – vírus da imunodeficiência humana). Naquela época, 65,7 mil pessoas já tinham sido diagnosticadas com o vírus e 38 mil já tinham falecido.

A iniciativa se consolidou e até hoje o 1º de Dezembro é marcado como o dia de uma campanha global que combate o preconceito, a desinformação e o estigma que ainda perduram em torno da doença. Esta data constitui uma oportunidade para apoiar as pessoas envolvidas na luta contra o HIV e melhorar a compreensão do vírus como um problema de saúde pública global.

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