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Rodrigo Mendes fala sobre resiliência e transformação de vida no Provoca

  • Audiovisual, Sub-Editoria Tela, Tela
  • 2024-02-20
  • Sem comentários
  • 2 minutos de leitura

Foto Beatriz Oliveira

Comandado por Marcelo Tas, Programa inédito vai ao ar na Tv Cultura, a partir das 22h

Nesta terça-feira (20/2), Marcelo Tas conversa, no Provoca, com Rodrigo Hübner Mendes, professor, diretor do Instituto Rodrigo Mendes e ‘mestre em resiliência’. Há mais de 30 anos disseram que ele ia ficar paralisado, mas nunca mais parou. Sempre rodando em sua cadeira, transforma vidas e mostra o que é resiliência na prática. A edição inédita vai ao ar na TV Cultura, a partir das 22h.

Mendes conta como é ser livre em uma cadeira de rodas. “Não é tão diferente do que ser livre sem a cadeira de rodas. Eu mesmo imaginava quando percebi que a minha condição mudaria, eu tive mil pesadelos sobre o que seria, essa questão do símbolo de uma cadeira como uma prisão e, no fundo, eu não estou exagerando no que eu estou falando, isso aqui é só uma casca. Aquilo que a gente pode vislumbrar, atingir, construir, aprender, não tem a ver com a casca. Tem a ver com um entusiasmo, com o que está ao nosso redor, a curiosidade no sentido de não se acomodar, e tem a ver com um ponto de vista”, diz.

O que significa a palavra tetraplégico?, pergunta Tas. “Significa que houve uma interrupção na comunicação entre o nosso cérebro e os nervos e músculos do corpo e, com isso, a gente deixa de controlá-los em parte. A ação física mais óbvia, ela é prejudicada”. E o que essa experiência te ensinou sobre o tempo?, diz Tas. “É preciso respeitar o tempo, a maturação precisa ser respeitada, e cada um vai ter o seu. E no meu caso, eu devo ter levado três anos para virar a página e dizer que está tudo bem, vamos lá. Até três anos eu vivia em função de exercícios e com uma expectativa de voltar a fazer o que eu fazia. A tal da resiliência, retomar a condição original”, conta.

Em outro momento da entrevista, Hübner fala sobre o que o faz levantar todos os dias. “Tem uma coisa que é um mantra para mim, que é uma frase do meu pai quando ele me viu na maca, na pior situação que eu enfrentei, praticamente sem conseguir respirar. Eu cheguei no hospital e ele segurou no meu braço e falou: ‘filho, faz a sua parte, a gente vai fazer a nossa e a gente vai vencer isso tudo’. Quando acordo, acho que eu lembro: ‘faz a sua parte’’.

Por fim, Tas pergunta sobre o que significa educação inclusiva. “É uma concepção que parte da ideia de que cada ser humano tem particularidades na forma de se relacionar com o conhecimento, de absorver, aprender. Dado que isso passa a ser uma premissa, o processo de ensino precisa diversificar estratégias de sala de aula, formatos de materiais e a forma como se engaja o aluno com a realidade da vida”, explica Mendes. Tas questiona: ‘Independente dele ser uma pessoa com deficiência ou não?’. “Independentemente. A gente ainda não tem essa consciência porque já vivia numa escola que era para poucos, mas quando você pensa na heterogeneidade da população, a quantidade de pessoas que não conseguem dar sequência nos níveis de ensino, isso fica escancarado”, diz o professor.

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