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EXCLUSIVO! Salvador após a mudança da capital do Brasil para o Rio de Janeiro

  • Destaque 3, História e Patrimônio, Palavras, Principal, Sub-Editoria Palavras
  • 2025-10-19
  • Sem comentários
  • 5 minutos de leitura

Parte 1

Por Gina Marocci

Em 1763 Salvador perdeu o posto de capital do Brasil para o Rio de Janeiro. Essa passagem não foi muito bem recebida pelos homens de negócios e senhores de engenho, que perceberam o desvio do eixo político-administrativo para o Sudeste como um desprestígio e perigoso à economia açucareira do Nordeste.

Quanto às duas cidades, nos mais de 200 anos de existência, os administradores delas sempre deixaram grandes dívidas à coletividade, principalmente em obras de beneficiamento que resolvessem os problemas de insalubridade, segurança, abastecimento de água e de alimentos. Vivia-se mal nas cidades brasileiras e as câmaras municipais não mantinham projetos de intervenção sistemática nelas, promovendo apenas soluções paliativas para os problemas já crônicos.

O século XVIII foi um período de florescimento populacional desses centros, dentre eles, os dois maiores, Salvador e Rio de Janeiro. As oscilações da economia colonial contribuíram para o adensamento desses núcleos, apesar de, no período da exploração maciça de ouro e de pedras preciosas, na primeira metade do mesmo século, a corrida desenfreada às minas tenha proporcionado um certo desequilíbrio nos centros litorâneos do Nordeste.

A cidade do Salvador abrigava, na segunda metade do século XVIII, cerca de 40 mil habitantes distribuídos em 9 freguesias: Sé, Conceição da Praia, Pilar, Carmo, Santana, S. Pedro e Rosário, consideradas freguesias urbanas; e Brotas e Vitória, que não eram consideradas, ainda, freguesias urbanas. Havia núcleos de expansão extramuros, geralmente impulsionados pela presença de mosteiros, conventos e igrejas. Na cidade alta, o bairro de Santo Antônio Além do Carmo já apresentava acréscimo de novas ruas e construções residenciais. A Palma, a Saúde e o Desterro desenvolviam-se como áreas predominantemente residenciais. Para além do Mosteiro de São Bento, os capuchinhos da Piedade fomentavam a consolidação de novas moradias no seu entorno.

Na cidade baixa, o bairro da Praia, mais precisamente compreendido entre a igreja da Conceição da Praia e o noviciado dos jesuítas da Jequitaia, desenvolvia-se com os seus prédios públicos, como a Alfândega, a Intendência e o Arsenal, além de inumeráveis armazéns, trapiches e residências. Mais distante ainda, o Mosteiro do Montserrat, o Convento da Boa Viagem, as igrejas de Nosso Senhor do Bonfim e de Nossa Senhora da Penha eram os marcos principais da paisagem bucólica da península de Itapagipe, entre pequenas habitações de pescadores e sedes de chácaras e sítios.

O português Luiz dos Santos Vilhena, professor de grego, inventor e escritor, em suas cartas ao rei (publicadas na década de 1960), afirma que ainda no final do século XVIII Salvador sobrepujava a nova capital da colônia, pelo menos em número de habitantes, compondo-se essa população de um terço de brancos e índios e dois terços de negros e mestiços.

Vilhena descreve a cidade ao final do século XVIII. A cidade baixa, desenvolvendo-se da Jequitaia à Preguiça, “com uma rua tortuosa, mas continuada com propriedades de casas de três, e quatro andares, e outros grandes edifícios”, abrigava os grandes edifícios comerciais e por isso mesmo apresentava maior movimento que a parte alta. Nas proximidades da igreja de Nossa Senhora da Conceição da Praia ficavam as moradas dos comerciantes mais ricos, com sobrados elegantes com mais de três andares. Sete ladeiras davam acesso à parte alta da cidade: da Preguiça, único caminho por “onde com bastante risco podem subir, e descer seges da cidade para a Praia”; da Conceição, onde já se assentavam várias construções dos dois lados; da Misericórdia, desembocando na Praça do Palácio; do Taboão; a calçada do Pilar, que sai próxima à Cruz do Pascoal; a Água Brusca, próxima a Água de Meninos e a última, atual ladeira do Canto da Cruz, que vai sair na Soledade. A área do Taboão era considerada como centro da Cidade Baixa e brevemente iria abrigar a Bolsa do Comércio, atual Associação Comercial.

Na planta baseada no levantamento de Joaquim Vieira da Silva (1798), extraída do livro As fortificações portuguesas de Salvador quando cabeça do Brasil, do arquiteto e urbanista Mário Mendonça de Oliveira, estão identificadas 11 edificações, entre fortificações, quartéis e casa da pólvora, no trecho entre o forte de São Pedro e a Soledade, na cidade alta; na cidade baixa, entre a bateria de São Paulo, na Gamboa, e o Noviciado dos Jesuítas (conjunto de São Joaquim). Pode-se perceber como o desenho da cidade toma formas diferentes. Na parte marcada no retângulo vermelho podemos perceber, claramente, ruas alinhadas, quarteirões tendendo à forma quadrada e duas praças bem definidas.

Planta baseada no levantamento de Joaquim Vieira da Silva, datada de 1798.

Para além do núcleo inicial surgem novos arruamentos marcados por grande irregularidade, com quarteirões alongados e tamanhos bem diferentes. Tanto na parte alta, quanto na região da marinha, percebe-se a tendência à linearidade na ocupação dos antigos caminhos de acesso, ou a edifícios religiosos ou às fortalezas. Fortalezas essas que, pelo depoimento de Vilhena, não estavam em condições materiais de exercer defesa contra uma invasão na cidade. Estava o porto desprovido de forças navais, ficando facilmente à mercê do inimigo. Da parte da terra, a posição dos fortes, já inseridos na malha urbana colocava em risco os edifícios vizinhos, no caso de troca de tiros de canhão.

Contudo, verifica-se que ainda no século XVIII há a necessidade de redefinição do sistema de defesa. Ao mesmo tempo, sabe-se da precária situação dessas fortalezas, mal conservadas, desprovidas de armamentos e milícia suficiente à proteção da cidade. A presença de engenheiros militares do porte de José Antônio Caldas, nesse período, e que estavam a serviço da Câmara, provoca uma inquietação pela falta de cumprimento das mais simples normas de orientação da cidade, as posturas, que eram bastante limitadas.

Em 1777, José Antônio Caldas elabora o levantamento de um trecho da Cidade Baixa, do Cais da Farinha ao Trapiche do Julião, registro da ocupação da beira-mar por meio de sucessivos aterros provocados por particulares e por ordens religiosas, como os jesuítas, para a construção de casas de taipa. Posteriormente, a Santa Casa da Misericórdia comprou o terreno e construiu nos novos aterros, moradas de casas. Sucessivos aterros, bancados pelo governo local e por particulares, exigiram constantes investimentos e favoreceram a ocupação residencial e comercial da cidade baixa, impulsionada, principalmente, pela importância do porto de Salvador para o comércio de exportação e importação.

Era fundamental assegurar o escoamento da produção para o exterior, principalmente o açúcar que, apesar das oscilações do preço, em 1754, já se exportava cerca de 350 mil arrobas, aumentando-se em 1798 o montante para 600 mil arrobas. Considerando-se que Salvador perde o título de capital do vice-reino em 1763, diante das cifras da exportação e dos consecutivos aterros e melhoramentos da zona portuária, pode-se inferir que, apesar da perda do status de principal cidade, a sua importância comercial, até o início do século XIX, equiparava-se à do Rio de Janeiro. No próximo texto veremos as melhorias que marcaram a cidade na segunda metade do século XVIII.

REFERÊNCIAS

AZEVEDO, T. de. Povoamento da Cidade do Salvador. Salvador: Fundação CPE, 1978.

CÂMARA, M. P. de A. Conceição e Pilar: freguesias seculares do centro econômico e do porto de Salvador no século XIX. 1988, Dissertação (Mestrado em Arquitetura e Urbanismo) – Faculdade de Arquitetura, Universidade Federal da Bahia, 1988.

MAROCCI, G. V. P. Salvador, século XVIII: a emergência de novos padrões urbanísticos. 1996, Dissertação (Mestrado em Arquitetura e Urbanismo) – Faculdade de Arquitetura, Universidade Federal da Bahia, Salvador, 1996.

MATTOSO, K. M. de Q. Bahia: a cidade do Salvador e seu mercado no século XIX. São Paulo: HUCITEC; Salvador: Secretaria Municipal de Educação e Cultura, 1978.

OLIVEIRA, M. M. de. As fortificações portuguesas de Salvador quando cabeça do Brasil. Salvador: Fundação Gregório de Matos, 2004.

VILHENA, L. dos S. A Bahia no século XVIII. Salvador: Itapuã, v.1, livro 1, 1996.

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