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Teatro Vila Velha reinaugura uma nova era de construção em rede

  • Principal, Ribalta, Sub-Editoria Ribalta, Teatro
  • 2026-09-21
  • Sem comentários
  • 7 minutos de leitura

Crédito: Arlon Souza

O Vila Volta reafirmando o seu papel político e cultural como potência da transformação da sociedade

Marco histórico a reabertura do Teatro Vila Velha no dia 25 de setembro de 2026. Inaugura-se uma era de renovação em diversas vertentes técnicas, sociais e arquitetônicas que reforçam seu caráter arrojado. Nesse contexto, o pensamento estético e arquitetônico do teatro tem como diretriz o conceito de uma obra em progresso, que mantém seu projeto original de 1964 de Silvio Robatto e Alberto Fiuza, na idéia do palco. A reforma de 1994 concretizou esta ideia com novos recursos tecnológicos. E agora a requalificação contemporânea de 2026, amplia os meios de acessibilidade implementados na reforma anterior, e cria condições de conforto para pessoas com deficiência e de mobilidade reduzida, através de diversos dispositivos Desde a entrada do Passeio Público, o caminho para o Vila leva a uma rampa suspensa que leva a um elevador, camarins e banheiros acessíveis. A obra foi realizada pela Prefeitura de Salvador, através da SUCOP, com projeto coordenado pela Fundação Mário Leal Ferreira, e assinado pelos arquitetos Nivaldo Andrade e Mário Vitor Bastos, da A+P Arquitetos Associados, com consultoria de Carl von Hauenschild, autor da reforma de 1994.

O evento de entrega do teatro à cidade, no dia 25/09, está sendo organizado pela Prefeitura de Salvador, através da Secretaria de Cultura e Turismo do município, em conjunto com o Teatro Vila Velha.

O Vila apresenta um evento de reabertura, desenhando uma linha do tempo de sua história através da música, com apresentação do músico Bruno Barroso recria o samba-enredo “As quatro estações do Ano”, de 1968 da Escola de Samba Juventude do Garcia, que inaugurou o TVV em 1964; depois parte do repertório do icônico show “Nós, Por Exemplo”: as músicas Clever Boy Samba, de Caetano Veloso, cantada por Bruno Barroso; Maria Tristeza, de Gilberto Gil, por Giovani Cidreira; e Sol Negro, cantado originalmente por Gal Costa e Maria Bethânia, terá nova versão com Luiza Brito e e Jadsa; Manoela Rodrigues faz a ponte apresentando “O Teatro”, composta por Tom Zé, integrante do “Nós, por Exemplo”, para o espetáculo Dom Quixote, que reinaugurou o teatro em 1998. Finalizando, os artistas da cena contemporânea que participam da mostra também interpretarão canções autorais, como Manuela Rodrigues e a sua Marcha do Renascimento, Giovanni Cidreira com Farol, Luiza Brito traz Olho D’água, Jadsa com Sol na Pele e todos juntos cantam uma música da trilha sonora do espetáculo “Uma Leitura dos Búzios”, quando o Vila ocupou o SESC São Paulo, em 2022. Tudo isso sob a direção musical de João Milet Meirelles e Ronei Jorge.

O Vila, como um equipamento cultural em constante mutação e em fluxo permanente de construção, reitera os seus pilares de espaço criado e mantido por artistas, que se distribuem nas muitas funções estruturantes: os setores operacionais, administrativos, criativos e da gestão artística e cultural. Um polo de formação, criação, difusão, fomento e um catalisador de políticas culturais. O Vila, como nova política cultural vai oferecer, aos grupos locais, temporadas mais longas apoiando o fortalecimento e a valorização da produção das artes cênicas locais.

A política de atuação em rede surge clara na segunda ação encontros da Rede Pavio de Grupos de Teatro do Nordeste, que reúne mais de 50 grupos de teatro de ação e pesquisa continuadas, presentes nos nove estados nordestinos.

Pé de Feijão Arte e Educação

Entre as boas notícias deste ano, o programa Pé de Feijão Arte e Educação, idealizado e coordenado pela diretora Cristina Castro, apresenta nos dias 06 e 07 de outubro, com sessões mediadas e gratuitas, de apresentações do espetáculo “Vila ABCD”, da Cia. Brasil de Teatro, contemplando um público de 800 pessoas. Com foco na iniciação artística de crianças e adolescentes, a iniciativa conecta arte e educação por meio de atividades como visitas ao teatro, apresentação de espetáculos, contação de histórias, oficinas e vivências criativas incentivando a expressão artística e o encantamento pela cultura. O Pé de Feijão promove a formação de um público crítico e criativo a partir da relação com as infâncias. Todas suas atividades são oferecidas gratuitamente através de mediação com escolas, comunidades e organizações sociais em prol da infância e juventude. O programa sedimenta a simbologia da união da arte com a infância como pilar estruturante de uma sociedade mais sensível, consciente e capaz de provocar mudanças fundamentais para o desenvolvimento humano.

O VIVADANÇA também volta

Em novembro, o lançamento de mais uma edição do VIVADANÇA Festival Internacional, que retornará à cena em nova proposta, conceito e formato, mas sempre expandindo e conectando suas ações com o Brasil e o mundo, com direção-geral e curadoria de Cristina Castro. Em breve, nessa primeira etapa serão dois espetáculos e a abertura das convocatórias para as residências artísticas com países da América Latina e do continente africano; e também para a Mostra Baiana.

Centro de Pesquisa e Memória do Teatro Vila Velha: Nós, Por Exemplo

Uma outra novidade é o lançamento do site do Vila, uma nova plataforma de informações e conexões do espaço com o público. E aqui relembramos que grande parte do acervo do Centro de Pesquisa e Memória do Teatro Vila Velha: Nós, Por Exemplo está sendo digitalizado e muito em breve estará disponível para todos: jornalistas, artistas, produtores culturais, comunidade estudantil, educadores e pesquisadores em geral, graças ao apoio da Fundação Banco do Brasil (FBB), através do projeto TEMPO: “Disseminação Cultural e Inclusão Social no Teatro Vila Velha”, que recentemente contemplou pesquisa e processos criativos em diversas linguagens, formatos e linhas de investigação, nas áreas da Arte-Educação, Audiovisual, Multimídia e Literatura Digital.

Provocações, novas criações e pesquisa, uma memória viva e aberta ao público.

Um novo Amigos do Teatro Vila Velha vem aí

Para quem é público, para quem é fã e apoiador cultural, muito em breve o Vila vem aí com uma nova plataforma virtual de financiamento continuado, com diversas modalidades de contribuição e recompensas para quem se interessa em colaborar e investir na programação e atividades do Teatro Vila Velha.

Para ficar atualizado e bem informado sobre todos os eventos e projetos, acesse o instagram @teatrovilvelha e o site www.teatrovilavelha.com.br e acompanhe as novidades da programação.

O Teatro Vila Velha conta com apoio financeiro do Governo do Estado, através do Fundo de Cultura, Secretaria da Fazenda e Secretaria de Cultura da Bahia.

+ sobre a requalificação e reestruturação

Intervenções – O palco, elogiado por todos que o conhecem pelas possibilidades que oferecem à invenções cênicas, permanece o mesmo, com atualização de seus equipamentos – o dobro de varas cênicas, novos sistemas cenotécnicos, iluminotécnicos, de som e audiovisual.

Do lado externo, a construção de uma nova passarela em estrutura metálica já redefine a integração com o Passeio Público, garantindo acessibilidade universal por meio de um novo elevador e escadarias.

O projeto externo também já conta com uma subestação de energia concluída e novos módulos de depósito para materiais cenográficos. Atualmente, seguem em andamento as instalações de esquadrias e o revestimento em telhas metálicas perfuradas. Um projeto ecologicamente consciente e arquitetonicamente ousado.

Já na parte interna do equipamento, a requalificação abrange a atualização completa dos sistemas de ar-condicionado, acústica e elétrica, além da implantação de protocolos rígidos de combate a incêndio e monitoramento por CFTV (Circuito Fechado de Televisão).

Da nova área administrativa em estrutura metálica às salas de ensaio, camarins e áreas de convivência, como o Café/Bar e o Foyer, todos os espaços estão recebendo climatização e sistemas de alarme de última geração. Novos espaços técnicos e administrativos, salas climatizadas, versáteis e preparadas para espetáculos contemporâneos e o Cabaré dos Novos segue reafirmando a sua presença como uma sala de espetáculos independente. Já o acervo, com em torno de um milhão de documentos de 100 anos de história do teatro brasileiro, ganhará espaço para pesquisa, visitação e memória

O Vila antes do Vila/histórico

Muito antes de ocupar o Passeio Público, o Vila já ocupava a cidade.
Foram três sedes provisórias entre 1959 e 1964: um solar no bairro da Graça; outro no Largo da Vitória; e a Galeria Oxumaré, também no Passeio Público de Salvador. Enquanto fazia, só no seu primeiro ano de existência, mais de 100 apresentações em palcos improvisados, em praças, escolas, igrejas e cidades do interior. Esse espírito inquieto e nômade é marca do Vila.

Muito se fala sobre o marco histórico de aniversário do Teatro Vila Velha, comemorado no dia 31 de julho e sobre os ilustres tropicalistas presentes em seu ciclo de inauguração, em 1964; mencionando sempre o show “Nós, Por Exemplo” e os nomes de Caetano, Gil, Bethânia, Tom Zé, Gal Costa, entre outros artistas da época. O que é motivo de muito orgulho. Mas, abrindo espaço para outras narrativas, é bom saber que este não foi o primeiro evento, como um evento fundador quem primeiro subiu em seu tablado foi a Escola de Samba Juventude do Garcia.

Nascido sob a essência da multiplicidade, entre a vanguarda e o popular, a sagração do Vila foi marcada pela diversidade, entre julho a outubro de 1964, quando, curiosamente, houve de tudo, logo no início, menos teatro. A primeira peça apresentada no Vila, pela Cia. Teatro dos Novos (CTN), só estreou no fim daquele ano, em dezembro, com a participação da Escola de Samba Juventude do Garcia como coro.


A Sociedade Teatro dos Novos, criada em 1959, é o primeiro grupo profissional de teatro da Bahia. A entidade se organiza após a dissidência de um grupo de alunos da Escola de Teatro da UFBA e que se rebelaram contra a direção (Martim Gonçalves) e abandonaram o curso no último ano. Os alunos são Carlos Petrovich, Carmem Bittencourt, Echio Reis, Othon Bastos, Sonia Robatto e Tereza Sá. Juntamente com , na mesma época, o encenador e professor da Escola de Teatro: João Augusto. Com diversas iniciativas artísticas e campanhas, durante seus primeiros quatro anos ergueu o Teatro Vila Velha em terreno cedido pelo Governo do Estado.

Em 1994, houve uma retomada do Vila, liderado por Marcio Meirelles, Angela Andrade, Chica Carelli, Cristina Castro, Gordo Neto, Débora Landim, Marísia Mota e outros artistas, com um novo projeto de ocupação por grupos artísticos. Assim, ao Grupo dos Novos, se juntaram o Viladança, o Bando de Teatro Olodum e, posteriormente a Cia. Novos Novos de Teatro, o VilaVox e A Outra Companhia de Teatro.

Essa retomada levou a uma reforma estrutural do prédio, que transformou o teatro/galpão num moderno espaço cênico, com muitas possibilidades de configuração palco/platéia, com salas de ensaio e um café teatro (Cabaré dos Novos).

Escrevendo novos capítulos dessa rica história, O Vila segue em constante movimento de expansão, inovação, experimentação e criação. Durante a pandemia, foi construído um Novo Vila Virtual , e toda uma programação com espetáculos, exposições e ações formativas foi realizada em plataformas digitais. Vale salientar que seis espetáculos foram montados e apresentados online em tempo real, no período.

Agora, mais uma vez o Vila troca a pele, mas é o mesmo bicho solto de teatro. E renasce num novo prédio, requalificado pela Prefeitura de Salvador, com mais recursos de acesso para a diversidade.

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