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UFBA celebra 80 anos com montagem inédita de “A Hora em que não sabíamos nada da gente”

  • Ribalta, Secundário 1, Sub-Editoria Ribalta, Teatro
  • 2026-04-29
  • Sem comentários
  • 4 minutos de leitura

Crédito: Sora Maia

Espetáculo sem falas também marca os 70 anos da Escola de Teatro com uma experiência cênica construída pelo elenco e pela imaginação do público

Inspirada no texto do Nobel Peter Handke, a releitura reúne cerca de 20 atores e transforma a cena em um território de travessias, imagens e múltiplas histórias possíveis

A Escola de Teatro da Universidade Federal da Bahia (UFBA) estreia no dia 30 de abril o espetáculo “A Hora em que não sabíamos nada da gente”, dirigido por George Mascarenhas, em uma montagem inédita em Salvador. A temporada segue até 31 de maio, no Teatro Martim Gonçalves, integrando as comemorações dos 80 anos da UFBA e dos 70 anos da Escola de Teatro.

Inspirada na obra do dramaturgo austríaco e vencedor do Nobel de Literatura (2019), Peter Handke, a encenação propõe uma experiência cênica sem falas, sem narrativa linear e sem personagens fixos. Em cena, uma praça se transforma em espaço de atravessamentos, onde figuras surgem, desaparecem e deixam rastros de histórias fragmentadas.

A dramaturgia se constrói a partir de micronarrativas visuais e corporais, em que o sentido não é dado previamente, mas construído pelo espectador a partir das imagens, gestos e relações que se estabelecem ao longo da encenação.

“É uma peça em que a história não está pronta. O que existe são passagens, imagens e presenças que convidam o público a construir seus próprios sentidos. Cada pessoa assiste a um espetáculo diferente”, afirma o diretor George Mascarenhas.

Na leitura proposta por Mascarenhas, a praça imaginada por Handke ganha contornos contemporâneos e incorpora referências da Bahia e de Salvador, aproximando a obra de um repertório sensível local. A cidade entra na cena como pulsação, ritmo e presença, conectando o texto europeu a uma experiência brasileira.

Corpo, presença e construção de sentido

A encenação da Companhia de Teatro da UFBA e artistas convidados se ancora na mímica corporal dramática, linguagem que coloca o corpo como eixo central da construção cênica. A partir dessa abordagem, o espetáculo aposta na potência do gesto, da fisicalidade e da composição visual como elementos estruturantes da narrativa.

Com cerca de 20 atores em cena, entre estudantes de graduação e pós-graduação, professores, artistas convidados e integrantes da comunidade externa, o projeto assume também um caráter pedagógico e extensionista, articulando ensino, pesquisa e criação artística.

Para a diretora assistente e preparadora de elenco, Deborah Moreira, a peça amplia o entendimento do que é narrativa no teatro contemporâneo. “A gente trabalha com a ideia de presença e escuta do corpo. Não existe uma história única, mas múltiplas possibilidades acontecendo ao mesmo tempo. O público é convidado a perceber, associar e construir sentido a partir dessas camadas”, explica.

A montagem dialoga com o tempo presente, marcado pelo excesso de informação e pela fragmentação das relações, propondo uma experiência de contemplação e reconstrução do olhar. “A praça é um espaço de encontro, de fluxo e de observação da vida. Ao trazer esse ambiente para a cena, a gente cria uma espécie de espelho do humano, com suas contradições, ritmos e encontros”, complementa George Mascarenhas.

Nesta montagem, o texto de Handke ganha uma abordagem autoral que valoriza o corpo como linguagem e propõe uma experiência estética que transita entre o poético, o cotidiano, o absurdo e o sensível.  

Além da encenação, o projeto resulta de um processo formativo que envolveu workshops e laboratórios de criação, reafirmando o papel da universidade pública como espaço de produção de conhecimento, experimentação artística e formação de artistas. A temporada também prevê ações de ampliação de acesso e diálogo com diferentes públicos, reforçando o compromisso da UFBA com a democratização da cultura.

Sobre George Mascarenhas

Diretor teatral, ator e professor da Escola de Teatro da UFBA, George Mascarenhas desenvolve, desde o final dos anos 1990, um trabalho contínuo de pesquisa, ensino e criação em mímica corporal dramática. Doutor e mestre em Artes Cênicas pela UFBA, possui formação internacional pela Université Sorbonne Nouvelle – Paris III e pela École de Mime Corporel Dramatique, em Londres. Sua trajetória articula prática artística e formação, com atuação em processos criativos, orientação acadêmica e consolidação da linguagem corporal como eixo central da cena contemporânea no Brasil.

Sobre Deborah Moreira

Atriz, diretora, mímica, dramaturga e preparadora de elenco, Deborah Moreira atua na interseção entre criação cênica e formação de atores, com pesquisa voltada para o trabalho corporal e a construção de presença em cena. Doutoranda e Mestre em Artes Cênicas (PPGAC/UFBA), Formada em Mímica Corporal Dramática no Brasil em 2004, com o aval da International Mime School of London. Bacharel em Interpretação Teatral pela Universidade Federal da Bahia em 2000 é também professora e produtora cultural, cofundadora da Mimus – Companhia de Teatro, grupo focado na pesquisa e criação cênica baseada na Mímica Corporal Dramática de Étienne Decroux. 

Ficha técnica 

Direção: George Mascarenhas
Assistência de direção e preparação de elenco: Deborah Moreira
Direção de produção: Piti Canella
Tradução: Miguel Gouvea Lordello
Figurino: Zuarte Jr.
Cenografia: Eduardo Tudella
Iluminação: Otávio Correia
Adereços: Elis Brito
Direção musical: Luciano Salvador Bahia

Elenco: Adrián Araújo, Alice Ciappa,⁠ Ananda Mariposa, ⁠Christopher Anderson,⁠ Clay Sabino, Gabriel Figueiredo, ⁠Ian Trigo,⁠ John Freitas,⁠ Kaio Britto, Khalil Emmanuel, ⁠Lana Sacramento, Leticia Conde, Matheus Zola, Miguel Gouvêa Lordello, Rixa, Silara Aguiar, Silvio Pereira, Terena França e ⁠Yasmin Maroli.

Serviço

Estreia: 

30 de abril

Temporada: 

Até 31 de maio – De quinta a sábado às 20h e domingo às 19h

Local: 

Escola de Teatro da UFBA – Teatro Martim Gonçalves

Entrada: 

Gratuita

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