Iniciativa articula festival, formação técnica, exposição e circulação artística, conectando mestres da cena baiana, novas gerações e territórios da capital ao interior do estado
O projeto cultural Viva o Teatro – Palco e Ofício, realizado pela Fundação Cultural do Estado da Bahia (Funceb) com produção do Coletivo4, será lançado oficialmente no dia 04 de junho com a abertura do Festival de Teatro 60+, que ocorrerá até o dia 20 de junho de 2026, no Galpão Wilson Mello – Forte do Barbalho, em Salvador. A abertura, que tem apresentação do solo “Giramundo” – do ator Jackson Costa – marca o início de um circuito de atividades que se estende até novembro e que articula difusão, formação, memória e circulação artística, conectando a capital ao interior do estado.
Mais do que uma ação pontual, o Viva o Teatro – Palco e Ofício estrutura-se como um projeto cultural de valorização do teatro baiano a partir de seus mestres e de seus ofícios. A iniciativa reúne cinco frentes integradas: o Festival 60+, o ciclo de encontros Café com História, as Oficinas Artísticas com metodologia VIGA (em Salvador), a Trajes de Cena do Teatro Baiano: Exposição de Figurino – de Maurício Martins, e a Caravana Coletivo4 para o município de Bonito.
Desde 2009, o Coletivo4 atua no Forte do Barbalho, onde mantém o Galpão Wilson Melo, espaço que abriga pesquisas, processos formativos, criações e ações de produção e distribuição artística. O projeto reafirma o compromisso do grupo com o fortalecimento da cadeia produtiva das artes cênicas, evidenciando os saberes acumulados por artistas e técnicos e promovendo o encontro entre gerações, ao mesmo tempo em que amplia perspectivas de profissionalização no setor.
Mestres em Cena
O Festival 60+ reúne sete espetáculos protagonizados por artistas baianos com mais de 60 anos, trazendo à cena o debate sobre longevidade, permanência criativa e mercado de trabalho nas artes. A programação inclui também o Café com História, espaço de escuta e partilha de trajetórias, fortalecendo a dimensão memorial do projeto.
No dia 04 de junho, às 18h30, acontece a abertura com o Café com História, seguida, às 20h, pelo solo “Giramundo”, com Jackson Costa. O espetáculo de poesia e música resgata a autoestima baiana, nordestina e brasileira por meio da palavra falada e cantada e de ritmos de matriz africana. Ao lado de Tom Costa e Sidney Argolo, Jackson revisita poemas e canções que dialogam com tempos de resistência e reflexão sobre os giros do mundo.
No dia 05 de junho, às 20h, Rita Assemany apresenta “Chiquita com Dendê”, recital satírico escrito por Aninha Franco, no qual, acompanhada pelo violonista Rudnei Monteiro, passeia pelas ruas e histórias de Salvador por meio de compositores como Assis Valente, Dorival Caymmi, Tom Zé, Moraes Moreira e Ivete Sangalo. Entre humor, crítica e afeto, o espetáculo reafirma o encantamento e as contradições da Bahia.
No dia 06 de junho, às 20h, Osvaldo Mil sobe ao palco com “Musicausos”, um encontro intimista em que revisita passagens de sua trajetória no teatro, cinema e televisão, intercalando memórias curiosas, divertidas e emocionantes com canções que marcaram sua carreira.
A programação retorna no dia 11 de junho, às 18h30, com mais uma edição do Café com História. No dia 12 de junho, às 20h, o público confere o musical “Batatinha”, com Diogo Lopes Filho. A montagem homenageia o sambista baiano Batatinha, revisitando sua obra e sua vida em um espetáculo que aborda carnaval, melancolia e baianidade, com direção de Marcio Meirelles e direção musical de Jarbas Bittencourt.
No dia 13 de junho, às 20h, “Os Sons que Vêm da Cozinha”, com Kaíka Alves e Sandro Rangel, assume o palco em formato de doc-musical inspirado no livro Eu Não Sou Cachorro Não, de Paulo César de Araújo. A montagem revisita a produção musical chamada “brega” das décadas de 1960 e 70, questionando apagamentos históricos e celebrando artistas que marcaram a memória afetiva de milhões de brasileiros.
O Café com História retorna no dia 18 de junho, às 18h30, antecedendo os dois últimos espetáculos da programação. No dia 19 de junho, às 20h, Antônio Fábio apresenta “Outrora”, com texto de Maurício Witzak e direção de Fernanda Paquelet. A peça acompanha um homem que, enquanto espera o trem que deixará sua cidade, revisita memórias da infância, do amor e da passagem do tempo, propondo uma reflexão poética sobre finitude e transcendência.
Encerrando o Festival 60+, no dia 20 de junho, às 20h, Marcelo Praddo apresenta “Vou Te Contar!”. No espetáculo, o ator interpreta cinco personagens inspirados em histórias reais de brasileiros anônimos. Com encenação minimalista e foco na força narrativa, a montagem valoriza a relação direta entre ator e plateia e convida o público a refletir sobre as dimensões humanas do cotidiano.
Visualidade, Interpretação e Gestão | VIGA
O eixo formativo do projeto se concretiza nas Oficinas Artísticas com metodologia VIGA, curso livre de formação técnica em artes cênicas que integra criação, gestão e funcionamento de um espetáculo teatral. Ao todo, serão ofertadas 130 vagas no Forte do Barbalho, destinadas a participantes de Salvador e do interior, garantindo a distribuição equilibrada entre capital e interior. A primeira etapa de inscrições será aberta no dia 15 de junho.
A I Etapa, de 07 de julho a 16 de setembro, contempla os itinerários de Teatro, Dança e Canto Coral e o de Produção e Comunicação Cultural, com inscrições de 15 a 30 de junho. A II Etapa, de 10 de agosto a 16 de setembro, abrange os itinerários de Iluminação e Sonorização, Cenografia e Adereço, e Figurino e Maquiagem, com inscrições de 21 a 30 de julho. O percurso formativo culmina na montagem do espetáculo “Vou Ser Artista”, com temporada de 16 a 27 de setembro.
O Projeto VIGA, amparado pela legislação de cursos livres, promove aprendizagem prática e integrada nas áreas de Visualidade, Interpretação e Gestão, permitindo que os participantes acompanhem todas as etapas de criação e realização de um espetáculo, da concepção à estreia.
Exposição e Caravana
No dia 08 de agosto, será aberta a exposição “Trajes do Teatro Baiano – Exposição de Figurinos”, com curadoria de Maurício Martins, reunindo figurinos de espetáculos premiados e representativos da história teatral do estado. A visitação segue até outubro, no Forte do Barbalho, ampliando o diálogo entre memória e formação.
Encerrando o circuito, a Caravana Coletivo4 levará ações formativas e artísticas ao município de Bonito, fortalecendo o intercâmbio entre capital e interior e expandindo o alcance territorial do projeto. Ao longo de suas ações, o Viva o Teatro – Palco e Ofício reafirma seu compromisso com a salvaguarda da memória do teatro baiano, a valorização de seus profissionais e a ampliação do acesso à formação técnica e artística.
Ao aproximar criadores do interior da Diretoria das Artes da Funceb, por meio da Coordenação de Teatro, e evidenciar a cadeia produtiva das artes cênicas, o projeto celebra o teatro da Bahia como herança viva, ofício em permanente construção e horizonte de futuro.
















