“Não quero namorar. Não quero casar. E filhos? Também não estão nos meus planos.”
Frases como essa já não causam tanto espanto. Na verdade, elas se tornam cada vez mais comuns entre os jovens da geração Z — e estão no centro de um movimento que ganha força dentro e fora do Brasil: a agamia.
Você já deve ter ouvido falar em solteiros condenados, adeptos do poliamor ou da sologamia. Mas a agamia vai além. Trata-se de uma escolha consciente por não estabelecer vínculos afetivos ou conjugais, nem mesmo dentro de modelos alternativos. Para quem adota esse estilo de vida, o amor romântico tradicional é visto como uma construção social ultrapassada — e, muitas vezes, uma forma de controle.
“É uma crítica à cultura do casal como norma. Há um desejo por autonomia afetiva e relacional”, explica a antropóloga Heloisa Buarque de Almeida, professora da USP e estudiosa das transformações nos modos de amar.
Os números não mentem
Dados do IBGE de 2023 revelam um cenário em mudança: são mais de 81 milhões de brasileiros solteiros, contra 63 milhões de casados. O casamento deixou de ser prioridade — e, para muitos, sequer faz parte dos planos. As razões vão desde questões ambientais até a recusa total da ideia de família tradicional.
Os 8 pilares da agamia
- Amor não é obrigação
- Razão acima da emoção
- Ética sem papéis de gênero
- Adeus padrões de beleza
- Sexualidade fora do patriarcado
- Chega de ciúme e posse
- Grupos livres em vez de famílias
- Amor romântico não manda mais aqui
Uma tendência global
A agamia não é uma referência exclusiva do Brasil. A ideia vem ganhar terreno na Europa, nos Estados Unidos, no Japão e na América Latina. Em todos esses contextos, o que se vê é um movimento de jovens rejeitando narrativas românticas idealizadas por filmes, livros e músicas pop — e construindo novas formas de estar no mundo.
Mesmo celebridades vêm ensaiando passos nesse caminho. A atriz Emma Watson, por exemplo, cunhou o termo self-partnered (parceira de si mesma), em 2019, o que reacendeu o debate sobre a autonomia afetiva e o fim do casal como modelo universal.
Mas… isso é o fim do amor?
Não necessariamente. Quem adota a agamia não está negando o afeto, mas sim questionando a estrutura institucional e normativa que molda o amor e a vida a dois. É uma forma de ampliar o campo das possibilidades existenciais — e, por que não, das conexões humanas.
“A agamia propõe uma revolução no modo como pensamos os laços afetivos. É mais que uma escolha relacional, é uma proposta de mundo” , resume a pesquisadora Heloisa Buarque.
Agamia não é:
Celibato religioso
Restrição de solteirice
Assexualidade (embora possa coexistir)
Poliamor ou sologamia
Agamia é:
Uma recusa à lógica do casal
Um estilo de vida antinormativo
Uma filosofia crítica à romantização do amor
Um modo de habitar o mundo sem moldes afetivos herdados
Fontes consultadas:
- Jornal da USP
- IBGE (2023)
- Blog Contra o Amor
- Entrevistas com Heloisa Buarque de Almeida (USP)

















