Sem avaliação criteriosa, o que seria uma solução pode se transformar em um problema ainda maior
Apesar de serem considerados uma das soluções mais modernas e eficazes para a substituição de dentes perdidos, os implantes dentários nem sempre são a melhor escolha clínica. Em determinadas situações, optar por esse tipo de tratamento pode representar riscos importantes à saúde do paciente.
Entre as principais contraindicações estão condições sistêmicas e o uso de determinados medicamentos. Um dos exemplos mais relevantes é o uso de alendronato, pertencente à classe dos bifosfonatos, amplamente indicado para o tratamento da osteoporose e prevenção de metástases ósseas. Pacientes que fazem uso desse tipo de medicação apresentam alto risco de complicações, como falhas na cicatrização, infecções e até necrose óssea — condição grave que pode levar à perda parcial ou total do osso maxilar ou mandibular.
Outro fator de atenção são pacientes submetidos à radioterapia, especialmente na região de cabeça e pescoço. Nesses casos, a capacidade de cicatrização óssea também fica comprometida, aumentando significativamente o risco de insucesso dos implantes.
Doenças metabólicas, como o diabetes descompensado, também entram na lista de contraindicações. A dificuldade de cicatrização e o maior risco de infecção podem impedir a osseointegração — processo essencial para o sucesso do implante. Situações hormonais, como a queda acentuada de estrogênio durante a menopausa, também podem impactar negativamente a estabilidade óssea e comprometer os resultados.
Além das condições sistêmicas, há um ponto muitas vezes negligenciado: a preservação do dente natural. Em casos onde ainda é possível recuperar a estrutura dentária por meio de tratamentos como o canal, o implante não deve ser a primeira opção. Isso porque dentes naturais apresentam melhor resposta biológica e maior previsibilidade a longo prazo.
Como explica a cirurgiã-dentista Juliana Búrigo:
“Sempre que existe a possibilidade de preservar um dente natural, essa deve ser a primeira escolha. O implante é uma excelente alternativa, mas não substitui completamente a biologia e a função de um dente original.”
Outro ponto importante é que doenças gengivais que afetam dentes naturais também podem acometer implantes — muitas vezes de forma ainda mais agressiva e de difícil controle.
Além disso, estudos indicam que a manutenção de dentes naturais ao longo da vida está associada a benefícios que vão além da saúde bucal, como melhora da qualidade de vida, maior longevidade e até menor declínio cognitivo em idosos.
Diante desse cenário, a avaliação individualizada é essencial. O avanço da odontologia permite múltiplas abordagens terapêuticas, e a melhor escolha nem sempre será a mais tecnológica, mas sim a mais segura e adequada para cada paciente.
Sobre a especialista
A Dra. Juliana Búrigo é cirurgiã-dentista especialista em Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial, com mais de 25 anos de experiência. Atua em Criciúma (SC), oferecendo tratamentos avançados com foco em segurança, precisão técnica e atendimento humanizado, sempre baseada em evidências científicas.

















