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Gustavo Moreno questiona passagem do tempo em mostra da Acervo Galeria

  • Artes Visuais, Destaque 1-tela, Sub-Editoria Tela, Tela
  • 2024-08-27
  • Sem comentários
  • 2 minutos de leitura

Sincréticos | Crédito: Renan Benedito

A Acervo Galeria de Arte, de Salvador, leva à programação da próxima SP-Arte – Rotas Brasileiras o artista Gustavo Moreno. No evento, de 28 de agosto a 1º de setembro, na ARCA, em São Paulo, os galeristas baianos Ricardo Portela e Denny Venegeroles representam o trabalho do artista visual, que carrega no DNA a relação com a arte. Ele apresenta uma série retomada após alguns anos, intitulada “Sincréticos”, onde transmite a fragmentos como madeira, metal oxidado, vidro e cerâmica descartados o status de arte em esculturas feitas de elementos marcados pelo tempo.

“O trabalho se dá na coleta desses materiais do cotidiano, ordinários, que são ressignificados através da assemblage. Me interessa muito pensar na energia desses materiais, pensá-los como uma continuação com o tempo, sempre vivendo, sempre oxidando. Importante pensar que nada é estanque, pensar sobre finitude. Ele é um corpo vivo, um corpo de resistência do colonizado ao colonizador, ungido pela força das matrizes africanas e do catolicismo. Eu faço uma espécie de exorcismo, de oferenda, de resistência e fé”, contextualiza o artista.

Segundo o curador Caetano Dias, o trabalho de Moreno pode ser pensado como uma poética dos fragmentos e suas energias em meio ao domínio da nova imaterialidade. “Ele escolhe adentrar e aprofundar as relações entre memória, história e fé, criando construções que ligam aspectos da cultura popular, religiosa e industrial, ecoando tradições ao atribuir novos significados a coisas antigas que sempre ressurgem”, contextualiza Dias.

O uso de objetos descartados e reincorporados de corpo e espírito pode ser visto também como uma crítica ao consumismo e suas reiteradas ações desenfreadas, indo além e utilizando esses conectores do passado para construir uma ecologia visual que aborda tanto a história da arte quanto as tradições afro-brasileiras, com a presença de símbolos religiosos – imagens de santos ou signos do candomblé -, um aspecto crucial na cultura mestiça e em seu traço familiar.

Ainda de acordo com Dias, Gustavo Moreno induz o observador a refletir sobre o impacto do tempo nos materiais e, por extensão, no seu próprio cotidiano, com justaposições de elementos que sugerem construções e desconstruções contínuas, processo de transformação que espelha a experiência humana.

“Em um mundo onde a repetição e o consumo desenfreados dominam e padecem, Gustavo Moreno oferece um respiro poético, uma reconexão com a graça e o ancestral, um libelo de resistência contra o sistema que, por natureza, quer domesticar a diferenciação e neutralizá-la. Mesmo em meio ao delicioso caos que nos apresenta, a obra de Moreno é um ato de resistência para reinventar os sentidos”, conclui o curador.

A Acervo Galeria de Arte fica em Salvador – Alameda dos Umbuzeiros, nº 25 – Caminho das Árvores – e em Feira de Santana. Mais informações: www.acervogaleria.com.br | @acervogaleriadearte.

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