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Ludopatia: jogos de vício que afeta mais de 2 milhões de brasileiros

  • Atitude, Comportamento, Secundário 1, Sub-Editoria Atitude
  • 2025-06-09
  • Sem comentários
  • 2 minutos de leitura

Psicóloga chama a atenção para os sinais de alerta e necessidade de prevenção

A popularização das apostas esportivas e dos jogos online no Brasil tem acendido um alerta sobre a ludopatia – transtorno caracterizado pelo impulso incontrolável de jogar, mesmo diante de prejuízos emocionais, financeiros e sociais –, problema que afeta mais de dois milhões de brasileiros, de acordo com pesquisa do Departamento de Psiquiatria da Universidade de São Paulo (USP).

Psicóloga e professora do curso de Psicologia da Universidade Salvador (UNIFACS), Juliana Santos explica que o vício em jogos de azar é considerado patológico quando uma pessoa perde o domínio sobre o seu comportamento, sendo incapaz de controlar o tempo e os gastos de dinheiro, independentemente de estar ganhando ou perdendo. Não por acaso, desde 2018, esse comportamento é reconhecido pela Organização Mundial de Saúde (OMS) como uma doença.

“A ludopatia, ou jogo patológico, está relacionada com quadros patológicos de comportamento compulsivo e dependência, associada a deficiências do sistema dopaminérgico mesolímbico, associada à motivação e recompensa”, revela a psicóloga.

Atenção aos sinais

Uma mudança no comportamento daqueles que sofrem da patologia é progressiva e pode ter início já na adolescência, com pequenas apostas. A psicóloga lista alguns dos principais sinais que devem acender o alerta de amigos e familiares:

  • Preocupação excessiva com o jogo;
  • Necessidade de aumentar as apostas ou conseguir dinheiro para jogar;
  • Necessidade de jogar mais para recuperar o dinheiro perdido;
  • Inquietude ou irritabilidade quando diminui ou diminui para jogar;
  • Jogo como escapar de problemas ou para aliviar angústias;
  • Esforço repetido e sem sucesso de controlar, diminuir ou parar de jogar;
  • Mentir sobre envolvimento com o jogo;
  • Cometer atos ilegais para financiar o jogo.

O especialista reforça que esse é um processo patológico com três fases distintas – cujo intervalo entre elas pode variar de 5 a 20 anos. A primeira delas é uma fase de vitória, em que os sucessos consecutivos levam a uma motivação neuroquímica e à fantasia de excelência enquanto jogador. Já na fase de perda, o indivíduo aumenta o tempo e o valor gasto no jogo, que passa a comprometer seu orçamento.

Por fim, há uma fase de desespero, que envolve ainda mais tempo e gastos de dinheiro, afastamento das relações sociais, pânico diante da consciência da dívida e o desejo de recuperar os primeiros dias de vitória – o que o leva a jogar novamente. “Isso pode ocasionar exaustão psicológica, depressão, pensamentos suicidas e dependência de substâncias psicoativas”, revela a professora da UNIFACS, que integra o Ecossistema Ânima.

Tratamento

As formas de tratamento mais frequentes para a ludopatia envolvem a participação do paciente em grupos de apoio, como os Jogadores Anônimos, terapia de casal e família, psicoterapia individual e farmacoterapia. Pesquisas indicam que fatores genéticos, biológicos, psicológicos e sociais, tais como impulsividade, competitividade e influência de amigos ou família, podem impactar no vínculo.

“O jogo patológico é um transtorno de impacto significativo na sociedade, acarretando prejuízos sociais, financeiros e emocionais aos indivíduos e à sociedade, por isso, é urgente o envolvimento de todas as instituições sociais em um trabalho preventivo, principalmente para as crianças e adolescentes”, finaliza Juliana Santos.

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