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Minha Avó e o sequestro de Chico

  • Destaque 1-envelhescência, Envelhescência, Sub-Editoria Envelhescência
  • 2023-12-08
  • Sem comentários
  • 2 minutos de leitura

Por Jade Rodrigues

Quando criança, eu tinha um paninho de estimação. Nunca chegou a ser esfarrapado, pois nada esfarrapado permanecia na casa da minha avó. Ele sempre tinha que estar limpo e bem lavado. Era meu compromisso.

Ele morava na casa da minha avó e me foi dado pela minha mãe depois que ela trabalhou em um hotel enquanto morava fora do país. O paninho já tinha tido um dono antes de mim mas eu não estava nem aí. Meu paninho não pertencia mais a criança nenhuma além de mim, isso que importava.

Talvez fosse um sobrevivente.

Talvez a mala de seus parentes tenha se espatifado durante o check-out do hotel e o paninho tenha ficado pra traz, ou simplesmente esqueceram num dos armários.

Não quis colocar a história à prova — Inventei explicações para muitas coisas seguindo essa fórmula. E em quase todas precisei recalcular a rota. A biografia do paninho, por exemplo, sofreu uma reviravolta inesperada e levou junto a imagem de senhora imaculada que eu tinha de minha avó Rita.

Tudo se deu quando numa viagem para Brasília eu esqueci meu paninho e ele foi tomado por um primo menor. Daí se seu um chora-chora, noites sem dormir. Caos instaurado.

Num desses almoços que tínhamos em família com frequência, com mesas compridas para abrigar grandes travessas, com toalha xadrez, pratos brancos de bordas pesadas… e o paninho. O meu paninho. Ali, sendo segurado por um primo meu bem na minha frente.

Quando fui apontar a tragédia para minha avó, percebi que ela também olhava para ele e, num movimento rápido e furtivo, pegou o paninho da mão do meu primo, o embalou e o enfiou no sutiã e passou para o nosso quarto.

 O paninho. O meu paninho.

Ele não era um sobrevivente, ele era um objeto sequestrado agora.

E a criança não teve tempo nem de raciocinar o que aconteceu com o objeto que ela antes segurava em mãos.

E Dona Rita, tinha acabado de tornar-se uma transgressora.

Em vez de me desagradar, a descoberta me fez gostar ainda mais dela. Aos sete anos, já me incomodava o modo como a descreviam como as mulheres deveriam ser: discretas, pacientes, caladas.

Eu, na minha precoce predileção por mulheres rebeldes, detestava aquilo. Mas agora pelo menos eu tinha um elemento novo sobre minha avó. O roubo do paninho levantou a bandeira de uma vida interna que até então eu não sabia que a minha vovó tão doce e meiga poderia levar.

Talvez um tanto turbulenta, perigosa.

Anotei a hipótese e a prova e fiquei esperando por mais.

Eu queria muito mais. Eu ganhei muito mais.

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